domingo, 19 de maio de 2013

V-8, 24 anos do recorde de velocidade!

Há 24 anos e três dias, a FEPASA, juntamente com o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), estabeleceu, em um trecho retificado entre as cidade de Rio Claro e Itirapina, o recorde de velocidade brasileiro, chegando a 164 quilômetros horários. Os trabalhos de medição foram realizados no próprio trem, em um carro Budd 800 modificado como laboratório. Este foi o primeiro e único passo dado para a implantação dos trens rápidos no Brasil, jamais efetuados.

O futuro parecia promissor: Na manhã de 16 de maio de 1989, o trem elétrico estabeleceu o recorde de velocidade sobre trilhos. O governo de Orestes Quércia buscou efetuar melhorias na estatal paulista, mas vários fatores, entretanto, culminaram em seu fim.
Exemplo de propaganda que circulou á época, mostrando o novo orgulho do modal ferroviário no Brasil.

Publicidade da FEPASA que circulou durante o governo Quércia, no final da década de 1980, mostrando uma locomotiva a vapor, o TIM de Santos e o utópico trem-bala, que jamais foi implantado no Brasil. Enquanto isso, ainda permanece o recorde ferroviário brasileiro de Itirapina, obtido com uma locomotiva da década de 1940 e alguns carros. Depois se vem falar de trem-bala hoje em dia...
Infelizmente, não restou muita coisa para contar a história nem deste memorável feito: A locomotiva Nº6386 foi desmantelada em Triagem Paulista, em 2004; os carros inox foram dispersados pela malha do estado, e dos carros-laboratório, um foi destruído, e o outro supostamente foi trancafiado nas oficinas de Rio Claro - SP. Pena.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Incendiários

Hoje, a postagem deveria ter seu tema direcionado para as atividades da Estrada de Ferro Perus-Pirapora, mas uma pauta importante (e nada feliz surgiu em cena). Veja abaixo:

Nesta quarta-feira, dia 15, mais um caso de incêndio a composição ferroviária se tornou realidade e notícia nos portais de informação e nos grupos de discussão de temática ferroviária. O alvo da vez foi o trem turístico de Pouso Alegre - MG, paralisado há anos, e seu material rodante, encostado e esquecido na pequena estação da cidade. Desde então, a locomotiva Nº205, da Rede Mineira de Viação, e os carros de passageiros usados no trajeto, ainda com pintura da RFFSA, foram deixados ao relento e sofrendo casos de vandalismo, além de servir como pouso de mendigos e motel a céu aberto. Até que no dia em questão, ontem, infelizes atearam fogo a dois carros, danificando o interior dos mesmos e tornando ainda mais remota a sua recuperação. Felizmente, a locomotiva saiu intacta.

Na sequência de fotos a seguir, pode-se ter uma noção de como foi o processo de negligência para com estes equipamentos, cedidos de bom grado pela entidade que os restaurou, sendo que os beneficiários desta transação não fizeram jus ao esforço.



Nas duas imagens acima, os primórdios: Locomotiva RMV 205 em plena atividade com o turístico de Pouso Alegre, com o carro restaurante R-470, do qual falarei logo abaixo. Ambas as fotografias são da coleção de Vanderlei A. Zago.
O começo da decadência: A composição já formada para ser encostada, no final da década de 1990. Foto da coleção de vários colaboradores.
Negligência: A máquina foi deixada em completo abandono, em espaço aberto, sem qualquer cuidado ou proteção. Caminho livre para a chegada do...
...vandalismo. Grafiteiros e pichadores fazem a festa nos trens abandonados, e este caso não foi exceção. A fotografia foi retirada do perfil do próprio cidadão (para não falar palavrão por aqui) que efetuou a feia inscrição no tender da máquina, intitulando-a "um salve para a velha guarda". Otário.
Negligenciado pela prefeitura da cidade, o trenzinho está definhando, até que a atenção da localidade foi novamente chamada para ele, quando infelizes cidadãos, em um momento de atuação antiética, atearam fogo a dois carros da composição que se encontrava parada. Veja abaixo os lamentáveis registros da equipe de jornalismo que noticiou o fato:

FOGO! Um carro agoniza sendo consumido pelas chamas. Foto da coleção de EPTV.com.
Depois de tudo, o estado final do interior de um dos carros, semidestruído pelo fogo. Foto de Fernando Lima.
Todos os carros da composição, incluindo os dois exemplares incendiados, são de aço-carbono, bitola métrica, antiga propriedade da Rede Ferroviária Federal S/A, fabricados pelas empresas Santa Matilde, Mafersa S/A e as próprias oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro, de onde veio o raro exemplar de carro R-470, carro-restaurante que foi adquirido em barganha de material rodante entre a CMEF e a RMV, e acabou vindo parar aqui. Veja:

Adquirido pela RMV juntamente com outros 14 carros da CM, a troco das litorinas Budd da RMV, o carro R-470 trabalhou na Centro-Oeste e na SR-2, como carro-restaurante do trem Barra Mansa-Lavras (aqui, em Arantina - MG). Foto da coleção de diversos colaboradores.
Uma outra vista do R-470 em plena atividade. Autor desconhecido.

20 anos depois, o mesmo carro, conservado no "turístico" de Pouso Alegre. Foto da coleção de Vanderlei A. Zago.
Aparentemente já fora de circulação, final da década de 1990. Foto de Vanderlei A. Zago.
Não sabemos ainda se o R-470 foi um dos dois carros que foram incendiados. Mas ainda assim, ficam mais duas peças danificadas, como mostra da negligência para com o acervo ferroviário brasileiro, assim como o desrespeito pela própria história, nesses casos a apenas um palito de distância (relembre essa clicando aqui...). Fica para se pensar.

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Problemas em Paraopeba

A foto, ainda da segunda metade da década de 1960, mostra guindastes da RFFSA, do depósito de Divinópolis, locomotivas G-12 e carros de madeira oriundos da Rede Mineira de Viação compondo trens de socorro e via permanente, nas dificuldades de adaptação da linha para a nova bitola de 1,00m no trecho de Paraopeba, implantada ali meses antes em substituição da bitola de 0,76m, vigente na via desde 1894. Nestas cercanias, se situava o ponto mais agreste da "bitolinha", no KM 684 da linha-tronco, juntamente com a estação de mesmo nome, demolida para a construção de uma represa. Foto da coleção de R.R. Coimbra.