domingo, 21 de abril de 2013

Inventário Geral dos Pátios Ferroviários do Brasil - Horto Florestal

O que aconteceu com a grande frota de carros e vagões que circularam outrora nas grandes ferrovias do Brasil? Onde foram parar os carros de passageiros que compuseram trens que fizeram história sobre os trilhos dessa nação? Porque o Brasil, que antes tinha uma indústria ferroviária tão desenvolvida, agora prioriza uma forma de transporte prejudicial e ineficiente como as estradas? Essas e outras perguntas se mostram ao mesmo tempo fáceis e difíceis de responder.

Até a década de 1950, os trens eram  melhor e mais eficiente meio de transporte existente no país. Os setores rodoviário e aéreo concorriam timidamente por atenção no mercado. Trens de passageiros eram sinônimo de status e requinte em viagens. Em Minas Gerais por exemplo, a economia e o transporte eram controlados por monopólio da Rede Mineira de Viação; se ela acabasse, o Estado iria junto com ela. Ironicamente, um mineiro (justamente da terra do trem) deu o pontapé inicial para o começo do fim das estradas de ferro: Juscelino Kubitschek, apesar de ter criado a RFFSA em 1957, era abertamente a favor das rodovias e que cada brasileiro tivesse seu carro, sem saber que isso se tornaria problema 60 anos depois.

Na década de 1960, apesar da ditadura, os trens de passageiros atingiram seu apogeu. A Companhia Paulista e a própria RFFSA praticamente competiam para desenvolver trens de passageiros luxuosos e requintados. Para isso, as companhias adquiriram carros e vagões que até hoje são sinônimo de transporte de primeiro mundo. Empresas como Budd Co., American Car & Foundry, Co., dentre outras, contribuíram para o vasto material ferroviário das ferrovias brasileiras.

Porém, com o tempo, os trens de passageiros foram declinando. A ferrovia passou a ser vista como transporte de cargas. Logo se viu que o grande excedente de carros que se encontrava sem uso estava desaparecendo ás centenas. A essa altura do campeonato, já na década de 1980, RFFSA e a já criada Ferrovias Paulistas S/A, ou FEPASA, começavam a sentir a falta de investimentos por parte do governo, que por sua vez, fazia apostas bilionárias nas rodovias, vendo-as como "o caminho para o progresso do país". Com o crescimento do transporte rodoviário, os trens de passageiros foram declinando. Um a um, foram saindo de operação. Na década de 1990, apenas alguns poucos, como o Trem de Prata, o Barra Mansa-Lavras e os expressos regulares da FEPASA ainda se encontravam em operação. Os dois primeiros   saíram de cena antes de 2000. Só restaram os trens paulistas. O tiro de misericórdia foi dado em 2001, quando uma solitária locomotiva G-12 partia ás 9h15min da estação de Campinas, com dois carros do trem Estrela d'Oeste e 57 passageiros, para nunca mais rodar.

Hoje, as ferrovias foram privatizadas. Os trens ainda circulam, com gondolas e hoppers no lugar dos carros de passageiros. Estes, por sua vez, se encontram jogados em desvios e pátios, embora seu uso fosse benquisto na atualidade. Nas matérias a seguir você verá onde estão e que foi feito de nossos trens de passageiros, o que já se perdeu, e principalmente o que se faz mister salvar.

Estação Ferroviária do Horto Florestal

Vista parcial do pátio da estação. Foto Cristiano Oliveira
A estação do Horto Florestal foi inaugurada em 1925. Segundo Max Vasconcellos, em 1928, "no amplo pateo da estação está montada notavel officina de reparação de carros pertencente à estrada". Ficava na linha de bitola métrica construída em 1895 para ligar a estação de General Carneiro à estação de Minas (hoje Belo Horizonte). Hoje a estação é atendida por bitola mista, o que permite receber trens da linha do Paraopeba vindos de Belo Horizonte e da métrica desde General Carneiro. A estação, importante pátio de manobras e oficinas da MRS em Belo Horizonte, tem a seu lado uma outra mais moderna que atende aos passageiros do metrô da cidade. "Eu (vivia na estação de Pirapora, onde meu pai era chefe) ficava embevecido ouvindo meu pai falar das "Texas" - que eram chamadas, por todos, de "Techas", potentes máquinas que não trafegavam até Pirapora por falta de estrutura adequada. O trem era a única opção de transporte de Pirapora. Saíamos às 5:40 h e , durante todo o dia, fazíamos a longa viagem até Belo Horizonte, onde chegávamos por volta de 23 h. Numa dessas viagens, o trem atrasou e passamos pela estação do Horto já de madrugada. Ficou-me essa reminiscência felliniana: papai me acordou e me levou para ver uma "Techa", estacionada no pátio. Chovia fino, era frio e a estação estava às escuras, iluminada apenas pelos faróis das máquinas, quando eu a vi. Enorme, preta, luzidia, feericamente iluminada , resfolegando vapores pelos lados . O tender alto e o cheiro do carvão mineral molhado. Eu estava em êxtase. Mal me continha quando entramos na cabine da "Techa". Manômetros em profusão, metais muito polidos, o regulador, a caldeira enorme..." (Luciano Franco Rosa, a Hermes Hinuy, 12/07/2003). A estação foi recentemente reformada pela FCA (03/2005). (Fonte: Estações Ferroviárias do Brasil)

Modelo da estação (Feito no programa Google SketchUp)







Estação Ferroviária do Horto Florestal - BH (por Bruno Melo Almeida)
Locomotiva Diesel-Elétrica (Por Trainman, modificada por Bruno Melo Almeida)

Download "Modelo da Estação Ferroviária do Horto Florestal - BH" - clique aqui (4shared)
Download "Modelo Locomotiva VL!" - clique aqui (4shared)
Mapas

Coordenadas:

Estação: -19.905412,-43.912112

Cemitério: -19.899016,-43.90774


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StreetView (Google Maps)

Observe os carros que estão no cemitério (Muros do Cemitério)
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Observe os carros que estão no cemitério (Muros do Cemitério)
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Material Ferroviário:

Locomotivas EMD SD-18


EMD SD18 é uma locomotiva diesel-elétrica de 6 eixos motorizados (C-C) construída entre Abril 1960 e Março de 1963 pela Electro-Motive Division (EMD), foram produzidas um total de 70 unidades.

Alimentada pelo motor diesel 2 tempos 16-567D1 de 1800 hp.

No Brasil a Rede Ferroviária Federal S.A. (RFFSA) adquiriu um total de 45 unidades em 1961, que reinaram até a chegada das EMD SD38, mais potentes e modernas. Hoje ainda 10 destas locomotivas estão rodando na atual MRS Logística e sua numeração é 50XX. São carinhosamente chamadas de "ciquentinhas". Foram usadas pela RFFSA junto com as ALCO RSD-12 principalmente nos trens de minério. Com a chegada das EMD SD38M foram transferidas para outros serviços, chegando a puxar os trens de passageiros.

Um fato curioso, quando sua chegada na Central, algumas delas chegaram a permanecer até vários dias ligadas, por nem todos os maquinistas terem instruções de como ligar as novas Diesel - Elétricas.

Devido a idade avançada as 5016, 5026 e 5031 trabalham somente com os trens de manutenção e reservas de pátios, porém, ainda operam com o motor diesel original 16-567-D-1. As outras 7 unidades, todas reformadas e modernizadas, receberam pintura MRS, 5 delas equipadas com o motor 16-645-D-1 (modificação do antigo 16-567-D-1) e duas equipadas com o 16-654-E3 (5005 e 5038) onde foi necessário fazer uma pequena modificação nas tubulações de água dos radiadores para o motor diesel.

Foto: Carlos Latuff, 2002
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Fotos: Gabriel Eduardo

RC-8168-1E

Fonte: Clube Amantes da Ferrovia

Carros "Cruzeiro do Sul"

Fonte: Clube Amantes da Ferrovia
Em breve mais postagens da série.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Minas's Trains - Avisos administrativos



Devido á falta de tempo para se dedicar ao blog, o Minas's Trains sofrerá uma queda no número de postagens por mês, mas ainda continuará trabalhando, então não há nem a menor possibilidade de desativação definitiva, aqui ainda será um meio para divulgação das ferrovias brasileiras interminantemente.

Mas como não faltam nunca, deixo aqui os ferreolinks habituais de todos os meses, através dos nossos amigos de trilhos:

Dez cenas do passado - Por Ulisses Passareli em Tradições Populares das Vertentes
Estudante profissional - Por Sylvio Bazote em HistóriaS

E como atração principal, há o convite de nossos amigos da ABPF - Regional Rio Claro, para a II Exposição Memória do Ferroviário Rio Claro, que cocrrerá no dia 28 de Abril, onde todos poderão ver um pouco da história da chamada Ferrovia Padrão (CPEF), quando de sua chegada á cidade, em 1875.


Agora uma notícia mais triste, é nosso amigo Benito Grassi, ex-maquinista da Rede Mineira de Viação que se encontra internado aqui em São João del-Rei com problemas de saúde. Que Deus esteja com ele, e que nossas orações possam interceder por sua recuperação.