segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Parece que sabiam que o trenzinho ia acabar...

    Na década de 1970, começou a ocorrer uma espécie de "corrida do ouro" de fotógrafos, pesquisadores, entusiastas e railfans de várias partes do mundo, principalmente EUA, Reino Unido e Alemanha. A novidade da pequena e colorida ferrovia de bitola de 2 pés e 6 pol. situada na comarca de Minas Gerais, sediada na cidade de São João del-Rei. Grandes nomes da fotografia do vapor, como John West, James Waite, Charles Small e John Kirschner, foram grandes colaboradores para a documentação a cores e em alta qualidade da pequena estrada de ferro.
 Quando das vésperas da década de 1980, já se tinha a grande desconfiança de que o trabalho de transporte do calcário extraído das minas do Sul do estado para ser levado até as linhas de bitola métrica da  SR-2 seria o último grande uso comercial da ferrovia, que já tinha perdido quase 500km de via no ano de 1966, e que com o advento do plano de modernização de ferrovias, isso viria a ocorrer de novo. Por isso, pessoas ligadas ao meio ferroviário do Brasil, começaram a correr para registrar em fotografias aquela estrada de ferro tão viva e singular. Os mais conhecidos dos registros fotográficos da "bitolinha" de nacionalidade tupiniquim são Guido Motta, o ferroviário Benito Grassi e o sr. Walter Serralheiro, sendo esse último alvo de reconhecimento dessa postagem. Confira abaixo o bom trabalho deste entusiasta que registrou a ferrovia em detalhes, antes que sua era clássica chegasse ao fim.

Todas as fotos publicadas abaixo foram feitas no ano de 1979.

Galpão de manutenção leve de oficinas, em 1979. Foto de Walter Serralheiro.

Parada de trem misto na estação ferroviária de Congo Fino. Foto de Walter Serralheiro.

Aspecto de carros e vagões da frota da "bitolinha" aqui em fase de transição da administração da Viação Férrea do Centro-Oeste (VFCO) para cuidados diretos da Rede Ferroviária Federal S/A (RFFSA). Foto de Walter Serralheiro.

Na gare da estação de São João del-Rei - MG, um trem misto aguarda escala, com um carro-correio aguardando ser carregado e um boxe misto (bagagem + animais). Foto de Walter Serralheiro.
Aspecto da via férrea em meio á relva, com uma pequena parada usada pelos  moradores dos sítios e chácaras locais, a caminho de Aureliano Mourão. Foto de Walter Serralheiro.


Passageiros no aguardo do próximo trem do dia, na estação de Ibituruna. Detalhe para os restos de óleo derramados na via férrea pela última locomotiva que ali parou. Foto de Walter Serralheiro.

Trem misto em momento de passagem sobre a Ponte do Inferno. Foto de Walter Serralheiro.

A locomotiva Nº43 a todo vapor em pátio de uma das estações do trajeto. Foto de Walter Serralheiro.
Girador (turntable) de tração manual na rotunda em ruínas de São João del-Rei, com plena movimentação de locomotivas a vapor ao fundo. Foto de Walter Serralheiro.

Aspecto em maior ângulo da rotunda em ruínas. Foto de Walter Serralheiro.

Close em detalhe das braçagens, puxavante e contra-balanços da locomotiva Nº43. Foto de Walter Serralheiro. 

Outro aspecto da locomotiva Nº43 nas manobras em Congo Fino. Foto de Walter Serralheiro.
"Corte" na pedra do morro por onde passa a via férrea, logo depois da curva, a Ponte do Inferno. Não deveria ser nada legal estar caminhando nesse lugar com o trem se aproximando. Foto de Walter Serralheiro.

Passageiros aguardam o trem na estação ferroviária de Tiradentes, sendo essa ativa até os dias atuais. Foto de Walter Serralheiro.

Ponte do Inferno sem tráfego de composições, com uma precária e antiga passagem para pedestres. Foto de Walter Serralheiro.

Vista geral da Ponte do Inferno, sobre o Rio das Mortes. Foto de Walter Serralheiro.

Trecho de via, pouco depois da Ponte do Inferno, a caminho de Aureliano Mourão. Foto de Walter Serralheiro.
Equipagem mecânica da locomotiva Nº43. Foto de Walter Serralheiro.

Detalhes do conjunto motor da locomotiva Nº43. Foto de Walter Serralheiro.

Close fotográfico no carro C-15, aqui em período de transição de VFCO (branco) para RFFSA (amarela). Foto de Walter Serralheiro.

Aspecto do carro B-11, apinhado de passageiros para o trem que segue para a cidade vizinha de Tiradentes, em época de Festa de SS Trindade. Foto de Walter Serralheiro.

Aspecto do carro Administração A-3 (H&H, 1912) em seus últimos anos de operação regular, antes de ser encerrado no interior do Museu. Foto de Walther Serralheiro.


quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Declaração do épico


No ano de 1976, primeiro ano após a transição da V.F Centro-Oeste para a nova superintendência da Rede Ferroviária Federal S/A, o maquinista Emídio Giarola, aqui retratado algum tempo antes de sua aposentadoria, fez esta fotografia ao lado de sua bela locomotiva que usava em serviço, a VFCO 68. A dita foto foi tirada como recordação para sua esposa, e acima dela estão os dizeres escritos á máquina:

"Á minha querida e dedicada mulher, Maria de Almeida, ofereço como uma perene lembrança, sendo a locomotiva 68 com a qual trabalho há mais de 16 longos anos e em minhas viagens com o pensamento sempre voltado para ela."

S.J (São João del-Rei), 20 de janeiro de 1976.

Belas palavras escritas há exatos 37 anos e três dias. Alguns, curiosamente, duvidam da total sinceridade delas, mas isso já é outra história.

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

E o trenzinho sai de operação mais uma vez...

 A Ferrovia Centro-Atlântica (FCA) informa que o trem da EFOM terá suas atividades suspensas por certo tempo para reformas na via permanente, que foi danificada após movimentação do terreno ocasionada pelas chuvas do período. Os trens serão normalizados tão logo seja resolvido o problema.

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Lá se vai um ano de Minas's Trains

 Depois de 23,694 visitas e 122 postagens, O Minas's Trains completa um ano de existência  Obrigado a Deus e a todos que colaboraram com o site.


segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Ferreolinks da semana #6

Esses são os primeiros ferreolinks da semana de 2013. Devido ao recesso de início de ano, poucas matérias de interesse foram publicadas nos blogs da comunidade ferroviária.

Aspersor de carros e vagões: Você está fazendo isso certo!

Um acidente ocorreu na madrugada dessa segunda-feira na malha compartilhada pela América Latina Logística (ALL) e a Malha da Região Sudeste (MRS). Uma composição de vazios da ALL acertou em cheio a cauda de outro vazio que seguia no mesmo sentido, gerenciado pela MRS, a caminho de Santos. Ainda não se sabe as causas do acidente, mas vindo da ALL, já não é mais surpresa para ninguém. O incidente prejudicou o tráfego de trens na ligação entre São Paulo e Santos. Para visualizar maiores detalhes,   clique aqui..

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Mulher de fases - Locomotivas MX620, da RFFSA/FCA

Não, não é a dama da música dos Raimundos. O trocadilho surgiu da mania dos ferroviários antigos de associar a beleza das locomotivas á graciosidade das mulheres que os cercavam. A parte "fases" já é bem mais fácil de entender, já que define o esquema de pintura de cada locomotiva, em diversas épocas, variando de acordo com a ferrovia na qual a mesma se encontrava sob operação. Confira abaixo como se deu a evolução de locomotivas de diversas máquinas com o passar dos anos. Em ferrovias diferentes, é claro.

Locomotivas MX-620, da RFFSA e posteriormente FCA

Locomotiva MX Nº6151 tracionando trem de pranchas na saída de túnel na antiga "linha do sertão", originalmente em bitola de 0,76m, convertida para métrica em 1966. Foto da coleção de Carlos Antônio Pinto.
As locomotivas MX-620 foram adquiridas pela RFFSA na década de 1980 para reforçar o transporte de minério na Rota do Calcário (Arcos - Lavras), e para se tornar uma opção a mais para a tração dos trens, junto com as G-8, G-12 e U20C. Quando chegaram, receberam o clássico padrão de pintura da RFFSA - Fase I, vermelho com detalhes em amarelo.

Aqui, locomotiva Nº6145 nas manobras, provavelmente em Gov, Valadares. Foto da coleção de Virgílio Vitalli.
Consta que algumas unidades de MX chegaram a receber a fase II de pintura, como a 6120 mostrada acima, parada na estação de Cana Verde. Foto da coleção de Carlos Antonio Pinto.
Em 1996, começou o processo de privatização da Rede Ferroviária Federal. As superintendências regionais SR-2, SR-7 e SR-8 ficaram para a recém-nascida Ferrovia Centro-Atlântica, que nem esquema de pintura tinha á época. Muitas foram as tentativas de se desenvolver uma pintura satisfatória, mas não deram resultado e acabaram sendo suplantadas.

Locomotiva Nº6113 nos testes para a pintura da nova ferrovia que surgia, em 1997. Este esquema vermelho não foi satisfatório á época e não foi adotado em outras máquinas. Foto extraída da Revista Ferroviária.
Anos depois porém, surge o belo esquema de pintura nas cores azul e laranja, sinônimo de Ferrovia Centro-Atlântica até os dias de hoje.

Locomotiva Nº6103 no cargueiro em Barra Mansa - MG, ostentando a clássica pintura da FCA - Fase I. Foto de Tharles Alves, em 2012.
Houveram tentativas de passar duas locomotivas MX para o trem de passageiros da Vale, na Cia. Vale do Rio Doce. Receberam pintura diferenciada as locomotivas Nº6169 e novamente a locomotiva Nº6113. A ideia não vingou.

Locomotiva Nº6169 na pintura especial para o Trem Expresso, o qual não chegou a tracionar efetivamente. Anos depois, essa máquina foi seriamente avariada em um acidente e baixada em Sete Lagoas - MG. Foto da Revista Ferroviária.
Em 2008, a FCA lançou uma nova logomarca e consequentemente nova pintura para seu material, dessa vez laranja com detalhes brancos.

Locomotiva Nº6166 com a pintura FCA - Fase II, em Lavras. Entre esse modelo de locomotiva, essa pintura não foi disseminada entre a frota, sendo já obsoleta pela nova pintura da Vale Logística Integrada. Foto de Paulo Figueiredo.
Hoje, a VLI (Vale Logística Integrada) está pintando algumas locomotivas da frota de MX's em sua nova disposição de pintura, sendo prateada com detalhes em branco, preto, azul e laranja. Apesar disso, ainda é possível ver MX's na Rota do Calcário rodando com pintura RFFSA, Trem Expresso (6113) e FCA - Fase I.

Trem de minério liderado pela MX 6145 com nova pintura VLI, seguido de uma U-20C com a Fase I e a MX 6118 com pintura RFFSA, bem castigada atrás, em Ityrapuan. Fotografia de Paulo Figueiredo.

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

E que venha 2013!


2013 acaba de chegar como um ano totalmente novo, como um trecho de ferrovia que recebe tráfego pela primeira vez por nossa parte. Depende de nós que tipo de carga vamos levar por ele. Espero que todos carreguem felicidade e outras coisinhas mil do gênero em suas vidas. Feliz 2013!