quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado. 


Carros e vagões da E.F.O.M


Nos últimos meses tem sido abordados os diversos tipos de carros e vagões utilizados nas linhas da Estrada de Ferro Oeste de Minas. Todos os tipos foram listados aqui, com suas características,  morfologia, que carga carregavam e quantos restaram para a posteridade. Aqui são compilados todos os modelos de carros usados na "Bitolinha". Vagões também, é claro.

Clique no nome de cada carro ou vagão para visualizar maiores informações sobre o mesmo.

Gondolas


Gondola: Veículo usado para carregar minérios e outros produtos granulados que podem ficar expostos ao tempo. Na EFOM, era nomenclaturadas como "MC" (madeira, fabricação própria) e MD (metal, produzidas pela Fábrica Nacional de Vagões). Calcula-se que foram postas em operação cerca de 170 unidades, dos dois tipos diferentes, sendo que restaram menos de 10 para contemplação posterior. Foto da coleção de Hélio dos Santos Pessoa Jr.
Boxes


Boxe VB-69, em operação na RFFSA, no pátio de São João del-Rei, década de 1980. Essa classe de boxes era uma das mais antigas em operação, com alguns exemplares datando de 1910. Totalmente construídos em madeira, era utilizados para o transporte de mercadorias em geral que não poderiam ficar expostas ao tempo. Havia cerca de 100 deles em operação, dos quais restaram menos de cinco exemplares. Slide da coleção de Jorge A. Ferreira Jr.
Exemplar de boxe da Estrada de Ferro Leopoldina, ainda com truques de métrica, cuja frota dos mesmos foi cedida para a EFOM na década de 1970. Originalmente eram usados especialmente para o transporte de produtos inflamáveis em geral, mas adquiriram gama variada de serviços na EFOM, daí a origem do prefixo "TD" e não "VC". Foto da coleção de vários colaboradores.
Gaiolas


Gaiolas eram vagões de fabricação bastante simples, todas construídas nas oficinas da Oeste. Foram prefixadas na tablatura da RMV como KA, KB e KC, respectivamente, variando de acordo com o peso, capacidade e tara de cada tipo. Eram usados convencionalmente na RMV, mas com a volta para o transporte de minérios, esse tipo de vagão foi sendo deixado de lado. Algumas unidades persistiram apenas por conta do uso esparso para transporte de cavalos entre os sítios e chácaras á beira da ferrovia. Foto de Herbert Graf.
Tanques


Na EFOM, os tanques não tiveram tanta popularidade. No rescaldo da Rede Mineira de Viação na década de 1950, boa parte da frota já estava cortada e abandonada. Os tanques da série TA e TB (acima, o TB 4) eram utilizados para o transporte de líquidos inflamáveis enlatados, como gasolina ou querosene, e caixas de material explosivo, como fogos de artifício e derivados. Apenas essa unidade, retratada acima, sobreviveu para contar a história. Foto da coleção de Bruno Campos.
Os tanques de prefixo YB eram usados para carregar óleo BPF, para abastecer as locomotivas durante viagens longas e servir de depósito de combustível em estações isoladas. Foram fabricadas apenas duas unidades, construídas a partir de pranchas. Ambas sobreviveram á era cargueira, mas hoje se encontram sem uso. Foto de Cid Beraldo, década de 1980.
Guindastes


Os guindastes são equipamentos básicos de qualquer frota de trens. São eles quem ajudam em caso de obras ou acidentes na via férrea. A EFOM possui duas unidades; este, de fabricação inglesa ainda do século XIX, e outro, de 1925, produzido pela Industrial Brownhoist Corporation, Lackwanna, Michigan, esse último apresentando truques reforçados da Cobrasma S/A produzidos especialmente para a bitola de 0,76m. Ambos ainda existem, além de uma terceira unidade de 1926, oriunda da EFCB de bitola métrica, que atualmente se encontra abandonado. Foto da coleção do site VFCO Brazilia.
Carros-restaurante


O carro-restaurante era, basicamente, o estágio da composição onde os passageiros do trem faziam refeições. Na RFFSA, carros com essa morfologia eram identificados pela letra "G". Foto da coleção de diversos colaboradores.
Administração


Sempre de uso especial, os carros Administração, identificados pela letra "A", são exemplo do requinte sobre trilhos. Eram usados em viagens especiais, inspeções de linha e nas caudas de alguns trens. A EFOM já possuiu sete unidades em sua rota, sendo que cinco delas sobreviveram, e apenas três unidades se encontram devidamente conservadas. Foto da coleção de vários colaboradores.
Socorro


Os carros e vagões do Socorro tinham usos diversos. Eram usados como alojamento, cozinha (vide o RA-3 acima), depósito de ferramentas, dentre outros.Na EFOM, recebiam os prefixos RA e RB. Havia aproximadamente 20 unidades em operação, restando para a posteridade apenas quatro delas, uma em estado irrecuperável. Slide da coleção de Jorge A. Ferreira Jr.
Mortuário


Consta que a Estrada de Ferro Oeste de Minas possuía seus carros mortuários prefixados com a letra "J". A unidade original, o J-1, foi mandada embora para Curitiba para ficar em exposição estática num parque, onde ficou até se desmanchar. Esta outra unidade retratada acima foi trazida dos depósitos de Ribeirão Vermelho, e apresenta a letra "Z" da RFFSA. Juntamente com ele veio esta locomotiva Metropolitan-Vickers, único exemplar do modelo preservado em estado digno no Brasil. Foto de Hugo Caramuru.
Abertos


Os carros abertos funcionavam como lotações, tinham estrutura similar a do bonde e eram usados principalmente em trens de subúrbio. Eram identificados pelas letras DD.  Fizeram bastante uso na EFOM e na RMV, mas o serviço foi extinto pela VFCO na década de 1960. Nenhum exemplar foi preservado. Foto da coleção do coronel Duck.
Correio/Chefe do Trem


Esses carros seguiam logo atrás da locomotiva e tinham a utilidade para transportar correspondencia e alojar a tripulação do trem que ficava nos carros em contato com os passageiros. Recebiam a letra "F". Na EFOM, estima-se que houve 20 unidades. Restaram duas. Foto de Guido Motta.
Misto


Carros mistos são carros que abrangem a 1ºClasse (B) e a 2º (C) em um único veículo. Atualmente restaram duas unidades, que são prefixadas com a letra "E". Havia mistos também em meio ás cargas, tais como os boxes especializados em transportar bagagens +animais, representados pela letra "H", dos quais restou apenas uma unidade. Foto da coleção de NEOM-ABPF.
Prancha


Pranchas serviam para propósitos diversos de carga. Acima, um exemplar de prancha PA, usada para carregar minério. Havia também os exemplares PB, com a borda mais baixa. Os exemplares clássicos do tipo de vagão, sem bordas, eram usados para carregar tijolos e sacos, e recebiam os prefixos QA e QB. Um exemplar foi mantido. Foto de Guido Motta.
Dormitório

Os carros-dormitório (conhecidos como carros-leito nas companhias maiores) eram usados na EFOM para acomodar passageiros em viagens longas durante a noite. Com a erradicação de mais de 500km de via férrea em 1966, eles foram sendo deixados de lado. Eram identificados na tablatura de prefixos pela letra "D". Apenas a unidade acima, o D-2, foi preservada na cidade de Antonio Carlos, apesar de pintado erroneamente como sendo da "estrada de ferro mais estreita do mundo" (E.F Perus-Pirapora, Tramway da Cantareira e diversas banana railways de fazendas em Santos e Guarujá usavam bitolas menores). Autor desconhecido.

2 comentários:

  1. Postagem muito bem feita, com um texto bem informativo e belas imagens.
    Parabéns!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Breve teremos novas postagens, aguarde :)

      Excluir