terça-feira, 13 de novembro de 2012

Ferrovia selvagem

   Embora tida como o segundo meio de transporte mais seguro para se viajar*, o trem também é um dos veículos que mais matam em suas vias, porém perdendo de longe para o modal rodoviário, que lidera invicto no ranking de matança nas estradas do Brasil e do Mundo. É da natureza do ser humano se esquivar de situações perigosas, e mesmo com exceção de alguns tristes casos, o homem consegue evitar as mortes por atropelamento nas ferrovias. Infelizmente, com os animais não é a mesma coisa. Devido ás necessidades de se deslocar em seu território, dentre outros motivos, muitos bichinhos se arriscam na via férrea, e acabam sendo atingidos pelas composições que passam. Veja abaixo:

Elefante: Embora não existente na natureza no Brasil, o elefante é um problema que incomoda muita gente nas ferrovias da Índia. O habitat natural do animal é cruzado pela via férrea. Em busca de novas zonas de pastagem, o bichinho cruza a estrada de ferro e como é muito vagaroso, acaba sendo atingido pelo trem. No caso de um elefante, devido ao seu grande porte, podem ocorrer danos ao material rodante, tais como descarrilamento, engavetamento de vagões e ferimentos aos ocupantes.

Filhote de elefante atropelado na linha de bitola de 1,67m na Índia. Contam os ferroviários da região que os outros elefantes do grupo obstruem a via férrea por até três dias, por simples laço fraternal com o falecido, para evitar que o corpo seja danificado por novo impacto. 
Cavalos e bois: Enquanto cães e outros animais menores ocupam o primeiro lugar das mortes por atropelamento nas rodovias, os bovinos e os equinos lideram nas ferrovias neste triste comparativo. No Brasil, boa parte das ferrovias atravessa zonas rurais, onde a via férrea cruza áreas de pastagem. Na tentativa de passar de um pasto para outro, cavalos, bois e vacas podem ser atingidos pelos trens que passam, causando verdadeira dor de cabeça para os proprietários dos mesmos. Na EFOM, até a década de 1970, com a RMV e a VFCO, era um problema real a possibilidade de atropelar um boi ou vaca na linha férrea. Devido ao pequeno porte das máquinas da "bitolinha", uma colisão entre o bovino e a locomotiva poderia ser fatal. A instalada de cercas em quase toda a extensão da via férrea ajudou em grande parte a solucionar o problema.

Cavalo atropelado por uma composição da FCA em Brumado, MG, em maio de 2012. A locomotiva não conseguiu parar a tempo e acabou atingindo o animal. O cavalo foi socorrido com vida e sobreviveu. Foto de Wilker Porto.

Esse não teve tanta sorte: Aqui, um cavalo (ou o que sobrou de um) jaz em meio aos trilhos da Ferrovia do Aço, entre Volta Redonda e Barra Mansa, RJ. O animal, ao ver o trem, corre na frente dele para fugir  entra no pontilhão e é encurralado. Como não consegue equilibrar os cascos no lastro, acaba tropeçando e é atingido. Foto de Melson Zideque dos Santos.
Perigo: Bovinos soltos na via férrea causam verdadeira preocupação aos ferroviários da EFOM. A locomotiva segue bem devagar, apitando, e ultrapassa as vaquinhas, sem mortes. Foto de Ilair Santana.
Aves: O maior inimigo dos pássaros nas ferrovias não são as próprias locomotivas em si; são as catenárias. Tentador ponto de pouso para andorinhas e centenas de aves que voam em bandos, os animais ocasionalmente são vítimas de um curto-circuito ao encostarem simultaneamente  nos fios positivo e negativo da rede aérea de cabos. As maiores vítimas são corvos, urubus e outras aves de carniçagem e rapina, que voam através da via férrea em busca de alimento ocasionado pelos animais que eram colhidos pelos trens. O animal se arrisca a descer na via férrea em busca da comida que está morta lá embaixo, não vê o trem e acaba ele mesmo sendo atropelado. Neste link pode-se conferir o momento exato em que uma pomba é atropelada por um trem da ALL-Rumo. Clique aqui.

Locomotiva elétrica da FEPASA (Ferrovias Paulistas S/A), campeã no ranking de morte a pássaros nas ferrovias eletrificadas.Foto da coleção de Vanderlei Antonio Zago.


Humano: O ser humano, embora raramente, também acaba sendo vítima de acidentes por atropelamento na via férrea. Descuido, desatenção, imprudência ou simples burrice? Para evitar que ocorresse uma chacina nas estradas de ferro foi criada a famosa cruz de Santo André com os dizeres clássicos PARE,OLHE E ESCUTE. Infelizmente alguns não o fazem.

Infelizmente, o cruzamento da via férrea em local inadequado faz com que cenas como essa se tornem realidade. Aqui, um morador de rua foi arremessado á longa distância após ser atingido por uma locomotiva da ALL em um trem tanqueiro. Créditos: Fotojornalismo de Curitiba.
Répteis: Outras vítimas comuns dos trens da zona rural. Mais vagarosas para se deslocar, tartarugas e cobras são frenquentemente decapitadas nos trilhos. Na estação ferroviária de Aureliano Mourão, ponto de encontro de bitolas da EFOM e da RFFSA, os chefes da estação contam que de manhãzinha, logo quando seguiam para os trens, era comum encontrar algumas serpentes, partidas em dois ou três pedaços na via férrea. Trágico.

Filhote de cobra, encontrado morto por mim na beira da via férrea, entre os km 93 e 91 da malha da EFOM. As serpentes, as tartarugas e os cágados, são essas as espécies que mais morrem no tráfego de trens de passageiros na "bitolinha". Foto de João Marcos.
*O avião é considerado o meio de transporte mais seguro. O maior inimigo desse tipo de transporte, além do desgaste e condições climáticas, são os pássaros. Um pássaro que e sugado pela turbina do avião pode causar muito estrago. Uma andorinha não causa muito dano. A ave é desintegrada pelas pás da turbina, que consegue sozinha engolir um grupo de até 16 pássaros pequenos. Aves de médio porte como o pombo podem fazer o motor sair de cadencia, perder força ou então parar, porém o piloto pode reiniciá-la em voo. Porém, aves como o urubu, o falcão e o ganso são perigosas. Há risco de pane total caso um desses bichos acabe sendo alojado dentro do motor. O melhor que se pode esperar é que a turbina não exploda.

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