sábado, 18 de agosto de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Correio/Chefe do Trem

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado. 

Carros Correio/Chefe do Trem da E.F.O.M

Os carros Correio - Chefe do Trem eram assim chamados porque eram divididos em dois compartimentos. Em um deles, ficavam as dependências dos ferroviários que passavam a maior parte de seu tempo trabalhando dentro dos carros com os passageiros, como o cobrador de passagens, o guarda-freio e o chefe do trem, responsável por manter a ordem dentro da composição. No outro compartimento do carro, ficavam os arquivos com gavetas atochadas de correspondência que eram recolhidas nas pequenas cidades por onde o trem passava. Onde o sistema de comunicações era tão precário e a maioria das pequenas localidades nem tinha energia elétrica para a instalação de telégrafo ou telefone (a estação ferroviária de Prados, por exemplo, só ganhou iluminação elétrica no fim da década de 1970, mesmo assim por meio de um "gato" feito pelos ferroviários de lá) o trem era o único meio de comunicação rápido eficiente entre as cidades atendidas pela companhia ferroviária. Cada carro-Correio tinha uma abertura na lateral, similar ás de caixas de correio convencionais, por onde eram depositadas as cartas que a população trazia. Uma vez dentro do trem,as cartas eram separadas por destino e entregues ás agencias individuais de correios das cidades, quando o trem passava por elas. A correspondência endereçada a destinos fora do alcance da estrada de ferro era repassada aos Correios oficiais. Além das cartas, os carros-Correio também transportavam cargas de maior volume. A Estrada de Ferro Oeste de Minas já chegou a ter mais de 15 exemplares em operação simultânea, mas com o tempo, e com o desaparecimento do excedente da frota de carros de passageiros praticado pela VFCO e posteriormente RFFSA, eles foram rareando. Alguns foram transformados em carros de Socorro. Outros foram simplesmente largados no mato. Ao fim da era comercial da bitolinha, em 1984, e com a inauguração do Museu Ferroviário, em 1986, ainda restavam três exemplares: o F-7, o F-9 e o RB-15, transformado em carro de socorro pela RFFSA. O F-7 foi escolhido para ficar estático na rotunda. O F-9 permaneceu em operação por mais algum tempo, fazendo pequenos serviços e funcionando de camarim em festas culturais em Tiradentes, função que exerce até hoje, na plataforma da estação ferroviária em São João del-Rei. O RB-15 porém, não teve tanta sorte. Deixado no pátio á própria sorte, permaneceu no mesmo lugar, sofrendo processo de decomposição em um ritmo moroso, até que desabou sobre seu próprio longerão, reduzido a apenas um monte de madeira apodrecida.

O Carro-Correio/Chefe do Trem também necessitava de ser girado, dado que era de praxe mante-lo logo atrás do tender. Aqui, carro F-9 no girador de Antonio Carlos, em 1971. Autor desconhecido.
Ferroviário diate do carro F-7, em Tiradentes, década de 1980. Foto da coleção de Hugo Caramuru.
Carro F-7 do lado de fora da rotunda, em outubro de 2008. Acervo NEOM-ABPF.
No fim das contas, o RB-15, aqui operando como Carro Alojamento/Socorro, década de 1980. Hoje só lhe restam as rodas. Foto da coleção de diversos colaboradores.

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