segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Bitolas ferroviárias no Brasil - Cap. II

     Nos idos do século XIX, ocorreu a implantação da maioria das estradas de ferro no Brasil. A maioria de seus materiais, tais como locomotivas, carros, trilhos e vagões foram adquiridos junto a fornecedores ingleses e americanos, daí o uso da bitola desses países nas primeiras ferrovias em solo tupiniquim. Á medida que a indústria e a engenharia ferroviária foram se aprimorando, logo se viu que algumas bitolas eram bem mais vantajosas do que outras. A bitola larga (1,60m), por exemplo, tem um mínimo para os raios de suas curvas, para evitar mudanças fechadas no trajeto, ameaçando a estabilidade da composição que passa por lá. Para evitar tal disparate, é necessário uma retificação da malha, tornando necessária a construção de pontes e túneis para transpor obstáculos naturais. Bitolas mais estreitas como a métrica (1,00m) e a estreita (0,76m ou 0,60m), são mais vantajosas por permitirem curvas muito mais fechadas, podendo contornar vales e montanhas, assim evitando a realização de grandes obras de engenharia. Apesar disso, bitolas estreitas transportam menos carga, daí a diferença de bitola em várias regiões, dependendo da destinação para qual são encarregadas. Confira abaixo algumas ferrovias que fizeram uso de diferentes bitolas no Brasil:

Estrada de Ferro Mauá
Data: 1854
Bitola: 1.67m

Locomotiva Nº1 "Baroneza", rodagem 2-2-2, junto com carros de época, preservada no Museu Ferroviário de Engenho de Dentro, antiga propriedade da RFFSA, no Rio de Janeiro. Fabricada pela Willian Fair Bairns & Sons da Inglaterra, em 1852, fez sua última viagem apenas em 1954, quando foi tombada pelo IPHAN e aposentada. Autor desconhecido.
Estrada de Ferro Dom Pedro II (futura Estrada de Ferro Central do Brasil)
Ano: 1855
Bitola: 1.60m

Última viagem de uma locomotiva a vapor da EFCB, com a locomotiva Nº1424, em 15 de março de 1973. Surpreendentemente, essa locomotiva sobreviveu e hoje se encontra na ABPF - Sul de Minas. Foto da coleção de Renato Libeck.
Estrada de Ferro Recife ao São Francisco
Data: 1858
Bitola: 1,60

Estrada de Ferro da Bahia ao São Francisco
Data: 1860
Bitola: 1,60m

Estrada de Ferro Recife a Caxangá
Data: 1867
Bitola: 1,20m (para bondes e trólebus)

Estrada de Ferro Santos a Jundiaí
Data: 1868
Bitola: 1,60m

Locomotiva English Electric "Pimentinha" Nº1006, da EFSJ. Foto da coleção de Linduarte de Almeida.
Estrada de Ferro Recife a Olinda
Data: 1870
Bitola: 1,40m

Estrada de Ferro União Valenciana
Data: 1871
Bitola: 1,10m

Companhia Paulista de Estradas de Ferro
Data: 1872
Bitola: 1,60m e 1,00m

Locomotiva V-8, nas oficinas de Rio claro, década de 1930. Bitola larga. Foto da coleção de Rafael Correa.
Originária das linhas de bitola métrica da CPEF, a belíssima locomotiva Nº604 "Inaye" hoje se encontra na ABPF - Campinas, com os trens culturais da entidade. Foto de Vanderlei Antonio Zago.
Estrada de Ferro Paraná
Data: 1872
Bitola: 1,00m

Trem da EFP passando sobre o Viaduto Carvalho, em data desconhecida. Foto da coleção de Hélio Evangelista Santos.
Estrada de Ferro Ituana
Data: 1873
Bitola: 1,00m

Estrada de Ferro Campos a São Sebastião
Data: 1873
Bitola: 0,95m

Estrada de Ferro Leopoldina
Data: 1873
Bitola: 1,00m 

Locomotiva Beyer & Peacock Nº327, originária da Leopoldina Railway, em operação no "Trem das Águas" de São Lourenço, operado pela ABPF - Sul de Minas. Foto da coleção do site International Steam.
Estrada de Ferro Macaé a Campos
Data: 1875
Bitola: 0,95m

Estrada de Ferro Niterói a Macaé
Data: 1874
Bitola: 1,10m

Companhia Mogiana de Estradas de Ferro
Data: 1875
Bitola: 1,00m e 1,60m

Oficinas de restauro pesado da CMEF, em Campinas, 1928. Foto do Acervo de Propaganda de Campinas.
Estrada de Ferro Sorocabana
Data: 1875
Bitola: 1,00m

Guindaste da EFS, em data e local desconhecidos. Esse equipamento foi salvo pela ABPF e hoje se encontra preservado. Foto da coleção de Vanderlei Antonio Zago
Estrada de Ferro Central da Bahia
Data: 1875
Bitola: 1,06m

Obras da construção de uma ponte na Estrada de Ferro Central da Bahia, data e autor desconhecidos.
Estrada de Ferro Nazaré
Data: 1875
Bitola: 1,00m

Membros de uma paróquia posam diante de locomotiva da Estrada de Ferro Nazaré, parada na estação de Amargosa, década de 1950. Autor desconhecido.

Estrada de Ferro São Paulo a Rio Grande
Data: 1875
Bitola: 1,00m

Grande trem de dormentes é levado por cima de uma ponte de madeira, década de 1910. Foto da coleção de Nilson Thomé.
Estrada de Ferro Oeste de Minas
Data: 1881
Bitola: 0,76m e 1,00m

Locomotiva VFCO 37 sobre o Pontilhão do Inferno, década de 1970, nas linhas de 0,76m da velha EFOM. Foto de Benito Mussolini Grassi.
Aqui, locomotiva VFCO 335 nos arredores de Barra Mansa, década de 1960: linhas de bitola métrica. Foto da coleção de Renato Libeck.
Estrada de Ferro S.Isabel do Rio Preto
Data: 1881
Bitola: 1,00m

Locomotiva da EF Santa Izabel do Rio Preto sobre ponte no Rio Paraíba do Sul, em 1888. 

Estrada de Ferro Santana
Data: 1883
Bitola: 1,00m

Estrada de Ferro Dona Teresa Cristina
Data: 1883
Bitola: 1,00m

Uma das imponentes 2-10-4 da EFDTC tracionando vagões carregados de carvão, década de 1970. Foto de John West.
Estrada de Ferro Vassourense
Data: 1884
Bitola: 0,60m

Estrada de Ferro Minas e Rio
Data: 1884
Bitola: 1,00m

Trabalhadores e fazendeiros posam diante de locomotiva da Estrada de Ferro Minas e Rio,  em 1880. Foto de Marc Ferrez.
Todas as ferrovias que apresentavam bitolas consideradas "exóticas" ( 0,95m, 1,06 m, 1,10 m,1,20 m, 1,40m) foram suplantadas ou rebitoladas para métrica. Exceção ás bitolas da EFOM (0,76m) e E.F Perus-Pirapora (0,60m). 

Nenhum comentário:

Postar um comentário