domingo, 22 de julho de 2012

Locomotiva Nº423 - 100 anos

Em 2012, comemora também seu centenário a locomotiva Nº423, uma das duas máquinas de rodagem 2-8-0 "Consolidation" que foram preservadas para a posteridade. Atualmente, o equipamento se encontra preservado em bom estado de conservação na pequena cidade de Cristina - MG, após bem-sucedida tentativa de salvar a peça da destruição iminente, no final da década de 1990. Atualmente, a prefeitura da cidade mantém o pequeno Museu do Trem, que tem a locomotiva Nº423 como peça principal.

Locomotiva nº 423
A Locomotiva nº 423, tipo “Consolidation” fabricada em 1912 pela Baldwin, faz parte de um round de seis locomotivas que pertenciam a antiga Rede de Viação Sul Mineira e circulava nas linhas de Três Corações, Itajubá, Soledade, Varginha, Machado, etc. Em 1931, quando da criação da Rede Mineira de Viação, as seis locomotivas foram incorporadas ao parque da recém-formada RMV que encampou toda a Rede Sul Mineira, parte da E. F. de Goyaz e outras ferrovias de menos importância. Na redestribuição das locomotivas para os depósitos, as seis locomotivas foram para Ibiá, da antiga E. F. Goyaz, e receberam os nº 418 a 423.
Prestaram muito serviço no transporte de cargas pesadas de produtos agrícolas como o arroz e o milho nas linhas de Goiandeira, Monte Carmelo, Ibiá e Garças de Minas; e também o transporte de gado para os grandes centros consumidores. Para este tipo de transporte eram as preferidas, dado a sua excelente capacidade de tração, equilíbrio e aderência nos trilhos. Raramente atrasava, e quando isto acontecia justificava-se com outras causas e nunca com o problema mecânico. Resistentes e fortes, trabalhavam ininterruptamente sem nunca se avariarem. Excelente tipo de máquina que tanto fez e acabou perdendo o seu lugar para as máquinas modernas movidas a diesel. Uma pena.
Montagem e Restauração da Locomotiva em Cristina
O pedido para a restauração da Locomotiva a vapor nº 423 foi feito em outubro de 1996 pelo, então, prefeito municipal José Carlos Filho e por Daltro Noronha Barros. Vieram faltando muitas peças de mecanismos (que ligam uma roda a outra), torneiras de vapor, compressor de ar, entre outras, que posteriormente foram cedidas pelas oficinas de São João Del-Rei e Três Corações. Por não serem da mesma locomotiva, a equipe que trabalhou na montagem teve que fazer uma série de adaptações nas peças. As grandes – que não encaixavam – foram cortadas, outras foram confeccionadas. A locomotiva não funciona devido as adaptações que foram feias, mas aparentemente está perfeita. O trabalho de montagem foi iniciado em janeiro de 1997 e durou dois meses até o seu término.
Depois, a locomotiva passou por uma pintura e atualmente está devidamente guardada no pátio do Museu do Trem.
Equipe responsável na montagem da Locomotiva:
1. Francisco Marques Sobrinho (Supervisor de mecânica, Ex. Chefe da Oficinas da RFFSA/SJDR)
2. Luciano Manoel Marques (Mecânico ajustador)
3. Osmar Mauro de Carvalho (Mecânico ajustador, Ex. Ferroviário)
4. Euler Cristovão Rezende (Mecânico ferroviário)
5. Hugo Caramuru (Letrista)
6. José Maria (Lanterneiro da cidade de Cristina)
7. Ana Cristina de Fátima Marques (Técnica administrativa)
A locomotiva possui:
1 jogo de guia (incompleto)
1 farol (completo)
2 cilindros de freio à vácuo
1 cilindro de freio de tender
1 capitel ( foi feito em Cristina)
1 dínamo
Lira (suporte para sino)
I apito americano
2 válvulas de regulagem de caldeira
1 tampa com aro da fornalha
1 injetor (incompleto)
1 visor de água
1 alavanca do regulador
1 manômetro de pressão
1 manômetro de freio
6 braços de junção (foram emendadas)
3 torneiras de prova (controla o nível de água)
2 hastes de cilindro
4 tramelas de tampa da frente (caixa de fumaça)
1 torneira de água do tender
1 manômetro de pressão
1 barra de regulador com suporte
8 bronzes para junção das braçagens (não é o dela)
2 bronzes para junção para puxavante
2 válvulas de segurança
1 bomba de ar
2 macacos (fica na frente da locomotiva)
1 aparelho de lubrificação de cilindro
  Hoje, a locomotiva Nº423 se encontra devidamente preservada em Cristina, e neste mês de julho comemora seu centenário, desde a data de fabricação.


Equipe de restauradores e responsáveis pela retirada da locomotiva posam diante dela, após ter sido resgatada de algum pátio, década de 1990. Foto da coleção de Hugo Caramuru.
Meses mais tarde após o término de sua restauração, em fins de 1997, a locomotiva Nº423 posa no lugar onde futuramente seria erigido o Museu Ferroviário, ainda sem sua cobertura. Foto da coleção de Ralph Giesbrecht.
Anos depois, já com a cobertura, em 2002. Acervo NEOM-ABPF.


Diferentemente das outras máquinas de bitola métrica, pintadas com detalhes e frisos brancos, a locomotiva Nº423 foi pintada com detalhes em amarelo, a exemplo das locomotivas da "bitolinha" da RFFSA. Foto da coleção do Museu de Cristina.
Bela e elaborada pintura da RSM com o logotipo da RFFSA, incrustada na cabine do equipamento. Foto da coleção de Revista Ferroviária.

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