quarta-feira, 27 de junho de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Mortuário

 Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado. 

Carros fúnebres da E.F.O.M

Os carros fúnebres foram construídos nos primeiros anos da década de 1920, para transportar com luxo e decência os cadáveres de ferroviários e familiares dos mesmos até cemitérios e igrejas das cidades por onde a via férrea passava. A exemplo dos carros Administração, também eram ricamente adornados por dentro e por fora, com uma mobília luxuosa, poltronas estofadas e uma grande urna no centro, usada para acomodar o caixão onde ia o defunto. Na época da Rede Mineira de Viação, era comum sair composição fúnebre que seguia em marcha lenta até o Cemitério do Quicumbi, então localizado no limite do perímetro urbano da cidade na época. Lá, o caixão era retirado do luxuoso carro e levado até sua cova. Com o tempo, porém, esses serviços foram se escasseando. O carro fúnebre original da "bitolinha" , o J-1, foi aposentado na época da Viação Férrea do Centro- Oeste (VFCO), que, junto com outro carro de passageiros mais a locomotiva American de número 19, foi vendido para a Prefeitura de Curitiba, onde permaneceram em exposição em um parque, estáticos e ao ar livre. Em poucos anos, os vândalos, as pestes e a decomposição fizeram seu trabalho, até que, na década de 2000, restavam apenas os conjuntos de truques e  rodeiros, sobre alguns paus e gravetos.
   Felizmente, podemos ainda conhecer como era o interior de um carro fúnebre. A Ferrovia Centro-Atlântica disponibiliza em condição estática o carro Z-10, outro exemplar desse tipo de vagão, atualmente preservado em bom estado na rotunda.


Na década de 1970, a composição especial que seria mandada para o Sul do país. Atrás da locomotiva Nº19 está o carro J-1, totalmente fechado, acompanhado de um carro-dormitório. Foto da coleção de Thiago Lopes de Resende.
Anos mais tarde, a locomotiva já depredada e descaracterizada, e os carros já em avançado estado de decomposição, em 1998. Contam pessoas que visitavam o parque que a Prefeitura da cidade colocou tapumes nas portas dos carros porque não estava nada seguro andar dentro deles. Sua estrutura já se encontrava bastante comprometida quando do momento do registro, tendo os carros se transformado em farelo de madeira sobre o próprio longerão.
Belo aspecto do carro Z-10, mantido pela FCA como estático na rotunda, em bom estado de conservação. Menor e mais compacto que o J-1, trabalhou nas linhas da RMV durante anos. Foto de Ilair  Santana.

Interior do Z-10. Note a riqueza da mobília e do detalhamento, com a urna mortuária para o caixão. Uma relíquia sobre trilhos. Foto de Ilair Santana.


Um comentário:

  1. Sou de Curitiba e creci indo ao Parque Barigui so para ver essa locomotiva a vapor lenbro-me de sempre entra nela subir na sua cabine e brincar ate mesmo de subir em sua caldeira e ficar tocando o sino em num sabado cedo... foi uma infancia boa, mas apos tantos anos ao clima de Curitiba ela foi retirada do parque restaurada e hoje repousa no Museu Ferroviario de Curitiba, predio centenario que serviu de estaçao ferrovia nos anos de 1885 pertencente a RVPSC hoje faz parte de um shopping center com entrada franca no museu

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