segunda-feira, 2 de abril de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Carros-restaurante

  Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.


Carros-restaurante da E.F.O.M


  Na era das longas viagens nas linhas da Estrada de Ferro Oeste de Minas, cujos trens de passageiros chegavam a acumular em torno de 350 pessoas por trem em um dia normal, uma parte da equipe era separada para ficar por conta dos viajantes que viessem a ter alguma necessidade. A tripulação de ferroviários se compunha de aproximadamente 10 ferroviários, como o chefe do trem, o telegrafista, o cobrador, o descarregados de bagagens e garçons e cozinheiros. Hã? Para que?
  As viagens extensas, com estações espaçadas e dentro de um vagão de madeira sob o sol quente dos morros mineiros fazia com que os passageiros tivessem necessidades durante o trajeto. Banheiro não era problema, a maioria dos carros era equipado com um. Agora fome e sede eram um desconforto a considerar. Os carros da Administração contavam com um filtro de água e despensa, mas os carros de 1º e 2º classe não tinham essa extravagancia. Quem era esperto trazia "marmita" na bagagem de mão. Os conformados tinham que esperar até a próxima estação, e torcer para haver alguma taberna aberta nas proximidades da mesma.
  Vendo a situação, a Rede Mineira de Viação (RMV) mandou ás oficinas de Divinópolis construir um carro para as linhas de 0,76m da ferrovia, com capacidade para aproximadamente 30 pessoas, mesas de jantar básico e uma pequena cozinha. Em 1937, o veículo ficou pronto, e posto em serviço na mesma data. Era acoplado nas composições mistas, nos expressos comuns e em trens especiais; Trabalhou nas viagens da RMV, VFCO e RFFSA até o ano de 1985, quando foi encostado no pátio de São João del-Rei á espera de um destino. Com o tombamento do Complexo Ferroviário da Estrada de Ferro Oeste de Minas em 1986, o veículo escapou de ser destruído, e permaneceu na gare da estação como enfeite até a década de 1990, quando foi mandado para as oficinas para ser adaptado para se tornar um carro normal, o que não ocorreu por impedimento de entidades preservacionistas. Fazendo uso do prefixo "G1", o carro-restaurante atualmente se encontra guardado na carpintaria, que está passando por reformas. Está em razoável estado de conservação.


Prefixo do carro G 1 nas corres da RFFSA. Autor desconhecido.
Carro G-1 na gare da estação, pouco depois da aposentadoria.

Nenhum comentário:

Postar um comentário