segunda-feira, 30 de abril de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Socorro

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.


Carros de Socorro da E.F.O.M


Diferentemente dos outros tipos de vagões da Estrada de Ferro Oeste de Minas, os vagões de Socorro não tinham tipo especificado. Poderiam ser um carro convencional, uma prancha, um tanque, um boxe, ou outro tipo de veículo ferroviário (locomotiva não contava.) O uso desse tipo de trem está intimamente relacionado á obras na ferrovia, trens de manutenção e assistência em acidentes com outras composições. No período da RMV/VFCO, os trens de socorro receberam o prefixo "RB", que especificava esse tipo de material. Cada carro ou vagão que compunha esse grupo recebia as letras RB, acompanhadas do número de identificação particular da unidade (exemplo: RB-19: Carro de Socorro, 19º vagão da série). A Frota da EFOM na "bitolinha", que já contou com aproximadamente 20 unidades de veículos "RB", atualmente possui poucos exemplares remanescentes.


Carro RB-11, atualmente mantido na carpintaria sem qualquer uso aparente. Assim como o A-5, seu uso na FCA seria benquisto atualmente, já que quando a companhia faz trens de manutenção da via há a necessidade de usar os carros da composição turística. Porque não separar um carro próprio para tal fim? Foto de Juliano Marchetti. 

O belo RB-15 não teve tanta sorte como seus congeneres. Era usado como alojamento móvel durante viagens longas e em pátios de estações pequenas. Foi aposentado em 1984 e não foi escolhido para compor o acervo do Museu Ferroviário. Assim, sofreu lentamente com o abandono durante vários anos, e se desmanchou sobre a própria estrutura. Seu estado atual pode ser dado como praticamente irrecuperável. Acervo NEOM-ABPF.

Na década de 1990, a locomotiva Nº60 manobra os vagões remanescentes para as linhas de depósito do pátio, onde esses carros ficarão sem uso até que recebam um destino. O boxe metálico em primeiro plano, com o ferroviário em cima, é o RB-16, um vagão bastante versátil, usado para carregar ferramentas e outras parafernálias usadas pelos trabalhadores de via permanente. Construído inteiramente em metal, resistiu razoavelmente bem ao desgaste provocado pelo tempo, e poderia ser bastante útil na atualidade. Foto da coleção de Thiago Lopes de Resende.

O RB-17 foi fruto do improviso da VFCO nas oficinas, que adaptou esse boxe de mercadorias para uma cozinha móvel. Era usado para providenciar alimentação para os trabalhadores da via férrea quando realizavam obras na linha em lugares distantes. Diferentemente dos outros veículos "RB" da companhia, o RB-17 passou os anos da era turística trancado dentro do prédio de iluminação da estrada de ferro, e por isso apresenta bom estado de conservação, apesar da grande quantidade de tralhas em seu interior. Imagem extraída do livro "West of Minas Narrow Gauge", do inglês Paul Waters.

Dia do Ferroviário

O Minas's Trains e sua equipe fazem sua homenagem a todos os ferroviários do mundo. Diesel ou vapor, metal ou madeira, métrica ou larga, Brasil ou EUA, Baldwin ou ALCo, todos merecem nossa parabenização por manter o progresso nos trilhos.


Peace In Our Life
We gave our hearts
We gave it all
Flame in the fire
Burns forevermore

The sorrow in believing
Honor and truth
Gray spires climbing
Wrapped around our youth

Peace in our life
Remember the call
Oh, a cheer for my brothers
Think of them all
Home of the brave
We'll never fall
The strength of our nation
Belongs to us all.

Time is the healing
of souls laid to rest
Peace is the virtue
Never forget
Tomorrow's an angel
Watching us all
Telling the people
she wraps around our hearts

Peace in our life
Remember the call
Oh, a cheer for my brothers
Think of them all
Home of the brave
We'll never fall
The strength of our nation
Belongs to us all!

sábado, 28 de abril de 2012

Numeração de locomotivas na RMV/VFCO (pano rápido)

Para ajudar a organizar e classificar suas locomotivas, a RMV, bem como qualquer outra estrada de ferro no mundo, costumava numerar suas locomotivas com um prefixo de ordem para a frota. Acontece, que ao contrário do que os leigos pensam, esses números não são escolhidos ao acaso. Há uma razão para a locomotiva apresentar essa nomenclatura, que varia desde a ordem de compra ao tipo de rodagem de cada máquina. Veja aqui a segunda classificação numérica das locomotivas da Rede Mineira de Viação, que se tornou vigente posteriormente na VFCO e na "bitolinha" da RFFSA:

Números de 2 dígitos - 1 a 71


As locomotivas que se encaixavam nessa categoria eram as máquinas de bitola de 0,76m da companhia, herdadas da épica Estrada de Ferro Oeste de Minas, que veio a ser encampada pela RMV. Na "bitolinha", as máquinas eram separadas em três grupos distintos, que eram classificados de acordo com a ordem de compra: Primeiro as locomotivas de maioria American (4-4-0), depois as locomotivas Consolidation (2-8-0, grande parte adquirida no round que veio entre 1889 e 1894) seguidas por algumas Ten-Wheelers (4-6-0), que vieram alguns anos mais tarde. Com o passar do tempo, quando parte da frota já estava desfalcada com os sucateamentos, é que o tipo de rodagem passou a ser considerado como classificador do número da locomotiva.

A 2-8-0 RFFSA SR-2 Nº58 já trabalhando na manobra no Pátio de São João del-Rey, em 1979. Essa locomotiva foi adquirida em novembro de 1893 e começou na EFOM com o Nº29, seguido do RMV 208 (imposto na RMV/Oeste) e depois o definitivo RMV 58 (imposto pela RMV oficial.) As máquinas 2-8-0 eram classificadas dos números 50 a 71, respectivamente. Foto de Herbert Graf.
Locomotiva Nº1 (EFOM 1, RMV 1) defronte ao prédio da administração da então V.F do Centro-Oeste, na década de 1970. Foi comprada em abril de 1880 e recebeu o número 1 por ser a primeira locomotiva da companhia. Foto da coleção de Thiago Lopes de Resende.
Locomotivas de bitola de 1,00m - números de 3 dígitos


Os números de 3 dígitos já chegaram a ser de uso da bitolinha, mas não foram de uso muito longevo na ferrovia. Por exemplo, a locomotiva Nº41 já possuiu o Nº111, a falecida RMV 67 já foi 220, e assim com quase todas as máquinas da RMV (exceção das 4-4-0 "Montezuma".) Depois da chegada da companhia em 1931, todas as máquinas de bitola métrica da antiga EFOM foram numeradas com números de 3 dígitos, sem exceção. Veja:

Locomotivas da série "100"


Esse grupo de locomotivas de bitola de 1,00m era o de locomotivas mais velozes e menos potentes da companhia. Abrangiam as numerosas 4-4-0, raras 2-6-0 e todas as locomotivas-tanque (não necessitavam de tender). Essas máquinas foram classificadas com números mais baixos de acordo com seu potencial de tração, que era aquém do das demais locomotivas de maior rodagem da frota. Quando as VFCO assumiu o controle de todo o material da RMV, haviam pouquíssimas dessas máquinas ainda sobreviventes. Foram utilizadas como manobreiras por um tempo, até que a empresa desistiu de investir nelas e mandou-as para o corte. Das quase 60 locomotivas desse tipo em operação na velha RMV, apenas a RMV 157 sobreviveu para atestar a história.

Locomotiva-tanque RMV 117 manobrando boxes para longe das margens do Rio Grande, que inundou o pátio de Ribeirão Vermelho em 1946. Acervo de Hugo Caramuru.

American RMV 157 em Varginha, a única do tipo que sobreviveu á era de transporte e manobra. Foto cedida pelo site Revista Ferroviária.com.
 Locomotivas da série "200"


O grupo de locomotivas RMV - métrica com maior número de locomotivas remanescentes é o de locomotivas renumeradas de 200 a 250: 14 máquinas sobreviventes. Parte delas foi colocada em condição operacional pela ABPF (Associação Brasileira de Preservação Ferroviária), enquanto outras permaneceram estáticas como monumento, todas restauradas. As máquinas 4-6-0 vinham depois das 4-4-0, e por isso receberam os números 200 a 250, numeração que perdurou na VFCO e posteriormente na SR-2.

VFCO 200 em seus últimos dias na manobra, década de 1970. Note o tender ainda com o 200 no estilo de pintura da RMV. A primeira locomotiva 4-6-0 da companhia foi baixada meses depois. Foto da coleção de Hugo Caramuru.

Ferroviários avaliam estado da RMV 242 depois de se acidentar durante uma viagem. Acidentes com ten-wheelers eram raríssimos, devido á grande estabilidade que essas máquinas tinham na via férrea. Local e data desconhecidos. Foto da coleção de Hugo Caramuru.

Ferroviários diante da VFCO 246, na década de 1970. Um grupo tão versátil de locomotivas, que foram aproveitadas como manobreiras antes da aposentadoria definitiva em 1975. Acervo de Hugo Caramuru.

Locomotivas da série "300"


Essa categoria abrange as locomotivas 4-6-2, as famosas "Pacific" da RMV. Vinham logo antes das 4-6-0 em desempenho. Na RMV, foram numeradas de 300 a 340. Sete delas foram conservadas.

A primeira Pacific da companhia, a RMV 300, provavelmente na estação de Lavras, em data desconhecida. Ostentando o clássico padrão "estrela" que se tornou bastante famoso com as máquinas da  "bitolinha". Acervo de Hugo Caramuru.

Time de funcionários posam diante da RMV 314, no girador da rotunda de Ribeirão Vermelho, na década de 1950. As locomotivas 4-6-2 se diferenciavam das ten-wheelers apenas pela presença de rodas de sustentação sob a cabine, o que proporcionava caldeiras maiores. Acervo de Hugo Caramuru.

Maquinista em momento de descanso diante de sua RMV 324, no pátio de Ribeirão Vermelho. Note os enfeites de "cata-vento", hit entre os maquinistas da EFOM. Foto da coleção de Hugo Caramuru.
Locomotivas da série "400"


As máquinas que faziam parte do grupo numerado de 400 a 440 eram as Consolidation, ou 2-8-0, como preferem alguns. Diferentemente do que aconteceu na "bitolinha", restaram pouquíssimas máquinas do tipo para a atualidade.

RMV 414, em rara fotografia. Note a cabine totalmente construída em aço. Foto da coleção de Hugo Caramuru.

Capa da revista Cargas, que mostra a RMV 431 aguardando restauro no pátio da ABPF - Campinas-Jaguariúna. Acervo de Thiago Lopes de Resende.

VFCO 435 manobrando em Passa Quatro-MG. Uma locomotiva com a potencia de duas G-12,ainda se encontrava em boas condições operacionais quando foi aposentada e baixada. Foto do site Viagem nos Trilhos.

Locomotivas da série "500"


Na RMV foram dois, e não apenas um tipo de locomotiva que ostentaram os números dessa categoria. Primeiramente, a maioria das máquinas eram as Mikado (2-8-2), que foram numeradas de 500 a 530. As máquinas desse tipo tinham um par de rodas de sustentação abaixo da cabine, o que permitia caldeiras maiores.  Dessas 30 máquinas, apenas três delas, a RMV 505, de origem germânica, foi preservada e posta em condição operacional. As outras são as RMV 520 e 522, que ainda aguardam restauro nas oficinas da ABPF - Cruzeiro e Regional Sul de Minas, respectivamente.

RMV 505 em plena atividade na V.F Campinas-Jaguariúna, resultado de um belo trabalho realizado pela ABPF - Campinas. Ela é clássica de muitas filmagens de TV. Foto disponibilizada pelo portal Guia do Viajante.
RMV 517 "Mikado" tracionando trem misto na saída da estação ferroviária de Pedrão, década de 1940. Note a aparência "americanizada", influencia das locomotivas gigantes que estavam para ser encomendadas pela RMV. Foto da coleção de Hugo Caramuru. 
Quem pesquisa frequentemente sobre a RMV solta um triste suspiro quando vê essa imagem da estação de Santo Antonio do Monte, em que a VFCO 519 está em seus últimos momentos de operação. Dias depois, os pedaços do equipamento estavam jogados em um pátio, para serem transformados em parafuso em alguma fundição. Foto da coleção do Sr.José Maria de Melo.
O outro tipo de locomotivas que também compartilharam os números da série eram as 2-8-4 "Berkshire", que foram um reforço do Departamento Nacional de Estradas de Ferro para a RMV, para modernizar sua frota de máquinas. Eram de origem francesa (GELSA) e receberam os números 550 a 555. Excelentes locomotivas, mas foram destinadas a trabalhar em linhas para trens de pequeno e médio porte, usavam combustível pobre e tinham uma manutenção demasiadamente complexa para as oficinas da companhia. Ficaram em serviço por menos de 20 anos, sendo retiradas de operação e baixadas na década de 1960.

"Foto de foto" da RMV 550, no grande pátio de Ribeirão Vermelho, local onde essas máquinas atuavam. As 2-8-4 eram admiradas pela imponência, mas observadas com um certo receio pelos ferroviários, devido ao histórico de acidentes. Acervo Biblioteca E.E Dr.Garcia de Lima.

Em um belo dia de março de 1956, a RMV 551 também em Ribeirão Vermelho, estacionada com um trem cargueiro. A chegada das locomotivas diesel G 8 e posteriormente as famosas G 12 encurtou a vida dessas máquinas. Alguns ferroviários afirmam que na rotunda de Ribeirão Vermelho, em 1967, ainda havia uma "Berkshire" preservada como relíquia (em caráter semelhante ao da elétrica 918 em SJDR hoje). Sua identidade é desconhecida. Porém, a VFCO deu um fim nela antes da década de 1970. Acervo Hugo Caramuru.

Locomotivas da série "600"


As máquinas que foram agraciadas com essa numeração foram gigantescas locomotivas "Northern" 4-8-4, que foram primeiramente adquiridas da Baldwin em 1946 para ver a qualidade do serviço de máquinas de grosso calibre nas linhas da RMV. Foram numeradas de 600 a 603. Inicialmente seu serviços eram razoáveis, e a compra de mais 6 locomotivas 4-8-4 da GELSA aumentou a frota dessas imponentes máquinas, classificadas de 650 a 655. As linhas métricas da velha EFOM nunca viram máquinas tão grandes. Infelizmente essa grandeza foi sua ruína. As linhas em que elas operavam era muito ineficientes para suportar equipamentos de tal dimensão, e o fato de terem sido originalmente projetadas para a bitola standard (1,43m) norte-americana, agravou ainda mais a situação, com um índice altíssimo de descarrilamentos e tombos durante as viagens. Foram aposentadas nos idos da década de 1960 e destruídas em seguida.

RMV 601 em um momento de descanso no pátio de Ribeirão Vermelho, na década de 1940, com trabalhadores do complexo posando diante dela. O tamanho e a imponência da 4-8-4 faz a RMV 117 se sentir toda nanica lá atrás. Foto da coleção de Hugo Caramuru.

Pode parecer difícil de acreditar, mas isso aí é a Rede Mineira de Viação! Nessa foto, a "tripulação" da RMV 652 (maquinista + 2 foguistas) posa diante da maior locomotiva da companhia. Era necessário um tender de 12 rodas (rodagem 3+3) para carregar quantidade suficiente de carvão para manter a máquina abastecida durante as viagens. Infelizmente, a glória dessas gigantes foi manchadas pelo uso em vias inadequadas e o alto número de acidentes. Acervo de Hugo Caramuru.

  • Locomotivas da série 100: 2-6-0,2-6-2, 4-4-0 e WT's (tanque).
  • Locomotivas da série 200: 4-6-0 Ten-Wheeler (200 a 250)
  • Locomotivas da série 300: 4-6-2 Pacific (300 a 340)
  • Locomotivas da série 400: 2-8-0 Consolidation (400 a 440)
  • Locomotivas da série 500: 2-8-2 Mikado (500 a 530) e 2-8-4 Berkshire (500 a 555)
  • Locomotivas da série 600: 4-8-4 Northern (600 a 603 e 650 a 655).

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Locomotivas de bitola métrica da RMV - Remanescentes

    A Rede Mineira de Viação (RMV) deteve por muitos anos o título de companhia ferroviária com maior frota de locomotivas do estado de Minas Gerais. Juntando as locomotivas de bitola de 0,76m com as de 1,00m, a ferrovia já teve mais de 150 máquinas em operação simultaneamente. Infelizmente, com a dieselização das linhas métricas e a demanda de maior número de cargas transportadas por trem, as locomotivas a vapor da RMV foram sendo deixadas de lado, abandonadas em pátios e galpões e sendo mandadas aos poucos para as valas de corte, até que restavam poucas inteiras, e infelizmente a maioria estava em mau estado de conservação.
   Quando da criação da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), em 1977, a mesma procurou contatar a RFFSA, então detentora dos materiais ferroviários históricos, para que a empresa cedesse essas locomotivas e vagões á entidade, que por sua vez, iria restaurá-los e colocá-los em ordem de marcha em trens turístico-culturais. As locomotivas que não foram doadas á ABPF, foram vendidas para as prefeituras de muitas cidades, que as restauraram e mantiveram as mesmas bem-conservadas como monumentos em praças.
  Confira abaixo imagens das vinte e uma locomotivas da RMV de bitola métrica que foram preservadas para a posteridade, para nossa contemplação.

A locomotiva Nº157 é a única American preservada. Atualmente está mantida como monumento estático na cidade de Varginha-MG. Acervo de Hugo Caramuru.
A locomotiva Nº205 foi doada pela ABPF a um grupo de empreendedores turísticos em parceria com a prefeitura de Pouso Alegre, que manteve um pequeno trem turístico em operação durante algum tempo. A ideia não vingou e atualmente a locomotiva se encontra parada e sem uso.
RMV 206, preservada no distrito de Conservatória-RJ como monumento em memória da ferrovia na região. É uma das atrações turísticas mais queridas no município, por isso a máquina sempre está bem conservada. Foto: Acervo da Prefeitura de Valença.
A locomotiva Nº210 é uma das pioneiras da ABPF no Brasil, tendo sido uma das primeiras a serem restauradas pela organização, salvando a máquina debilitada dos pátios de Engº Bhering. Acervo NEOM-ABPF.
Deixada para trás... A RMV 213 ficou mantida na cidade de Três Corações como monumento estático, pelas mesmas razões da 206: memória industrial e cultural. Foto do site Viagem nos Trilhos
RMV 215, a grande estrela da ABPF Campinas-Jaguariúna, que foi a primeira locomotiva a ser restaurada e posta em movimento pela entidade. Na época, os membros da ABPF resolveram até criar uma placa para batizar a máquina com o nome do francês Patrick Dollinger, o patriarca da ABPF no Brasil. Foto: Acervo ABPF - Campinas.
Já a RMV 220 não teve tanta sorte assim. Os responsáveis pela RFFSA de São João del-Rei decidiram partir a caldeira e o tender do equipamento ao meio para que pudesse ser feita uma demonstração do mecanismo "steam", para satisfazer a curiosidade afoita dos visitantes do futuro museu. Forever alone. Foto: Acervo de Thiago Lopes de Resende.
A RMV 223 estava definhando em um pátio de Três Corações, MG, até que uma parceria entre a prefeitura de Piquete, SP e a fabricante de armamentos IMBEL fez com que a máquina fosse submetida a restauro externo. Está pintada com as cores da EFCB. Imagem cedida por www.pulsar.com.
Na pequena cidade de Maria da Fé-MG, temos a RMV 225, fruto da engenhosidade dos mecânicos da companhia, que a construíram inteiramente com peças de reposição que chegavam da Baldwin e se encontravam em excedente nas oficinas, na década de 1920. Foto do site Viagem nos Trilhos.
A RMV 423 é uma 2-8-0, preservada no Museu do Trem de Cristina - MG.
O município de Itaúna-MG possui a RMV 227, preservada no pequeno museu da cidade. Se encontra em razoável estado de conservação. Acervo da Prefeitura de Itaúna.
Já a RMV 232 foi levada para a ABPF-SC, onde foi colocada para trabalhar nas composições de passeio da companhia. Acervo ABPF.
A RMV 233 foi tirada da proteção do Complexo Ferroviário de Lavras e posta em uma praça, totalmente á merce de vândalos e depredadores. Atualmente se encontra assim, totalmente descaracterizada, á espera do socorro que tardará a vir. Foto de Anderson Nascimento.
Ferroviários posam diante da RMV 235, ostentando ainda o limpa-trilhos de madeira que viria a ser substituído anos depois. Hoje a locomotiva se encontra firme na ativa em Santa Catarina, servindo ao propósito para o qual foi criada. Foto: Acervo de Hugo Caramuru.
A RMV 236 está fazendo parte do grande acervo da V.F. Campinas-Jaguariúna, porém foi escolhida para ser preservada imóvel ostentando as cores da Cia.Mogiana.
Junto da RMV 220 ficou a locomotiva Nº239, retirada da rotunda de Ribeirão Vermelho para engrossar o acervo do Museu Ferroviário da EFOM em São João del-Rei. Foi restaurada e se encontra guardada na rotunda sem qualquer utilidade aparente. Acervo NEOM-ABPF.
O Complexo ferroviário de Ribeirão Vermelho era bastante rico em materiais, ainda que em abandono. Todo o acervo de lá foi levado para outras localidades do Sul e do Sudeste. Apenas a RMV 315 ficou como monumento atestando do passado da vila.
Após anos sofrendo com a ação corrosiva do tempo, a RMV 325 foi restaurada com iniciativa particular e levada para Bom Despacho-MG, onde permanece exposta como escultura, apresentando as cores da E.F Paracatu.
A imponente RMV 332 foi uma das peças mais importantes da ABPF - Sul de Minas, sendo a estrela atual do trem de Passa Quatro - MG. Foto de Felipe Sanches. 
A locomotiva Nº338 se encontra em ordem de marcha na estação de Anhumas - SP, permanecendo como uma das máquinas mais formosas da organização. Foto de Robson Santos Souza.

A última locomotiva adquirida originalmente pela E.F.Oeste de Minas é a RMV 520, aguardando pacientemente o momento de ser restaurada pela ABPF em Cruzeiro-SP.Acervo NEOM-ABPF.

Locomotivas adquiridas pela Rede Sul-Mineira (R.S.M)


A Rede Mineira de Viação (RMV) surgiu após uma decisão do governo de Minas Gerais em aumentar as malhas da então RMV-Oeste adicionando-lhe mais algumas ferrovias regionais, em 1931. Exemplos são as Viação Férrea Sapucaí e a E.F Muzambinho; mais algumas companhias menores que formaram a Rede Sul-Mineira, que durou apenas pouco mais de 20 anos sozinha; teve que ser arrendada pelo governo e engolida pela EFOM, formando posteriormente a RMV. Porém, nesse tempo a companhia pode adquirir locomotivas da Baldwin e da L.Schwarzkopff,, que mais tarde foram incorporadas á frota da RMV, o que não encobre a sua origem. Veja as máquinas remanescentes da RSM abaixo:

A pacific Nº307 é uma das duas máquinas de origem alemã que sobreviveram ao tempo. Se encontra preservada na rotunda de S.J.del-Rei, ainda que sofrendo com a ferrugem que se apresenta em algumas partes do maquinário, ameaçando sua estabilidade. Acervo de Thiago Lopes de Resende.
Funcionários da RFFSA e membros de entidades preservacionistas posam em frente á VFCO 505, outra máquina germânica que só foi salva de ser transformada em panela pelo trabalho da ABPF de Campinas, que ganhou o direito de restaurar a máquina e operá-la na V.F Campinas-Jaguariúna. Acervo de Hugo Caramuru.
Em um belo dia de abril de 1980, a RFFSA SR-2 Nº522 arrasta uma infeliz locomotiva para a vala de corte. Por ter resistido ao desgaste natural das peças, a RFFSA de Barra Mansa decidiu usá-la como locomotiva manobreira no pátio de sucata da cidade. Quando o material ferroviário para cortar acabou, a locomotiva Nº522 foi encostada e deixada ao tempo por 20 anos, até que a ABPF - Regional Sul de Minas encontrou a máquina em um pátio e conseguiu permissão para restaurar o equipamento. Os trabalhos de recuperação estão em andamento. Foto do acervo NEOM-ABPF.
Apesar de suas dimensões desajeitadas,a ten-wheeler Nº246 foi comprada pela E.F Goiás para tracionar trens mistos. Passou para a RSM e depois para a RMV, onde trabalhou até a aposentadoria da tração a vapor. Depois de quase 20 anos abandonada em Araguari, a locomotiva foi restaurada e hoje pode ser contemplada no Museu Pires do Rio, em Goiás. Foto da coleção de Hugo Caramuru.

Outras locomotivas


Além das máquinas adquiridas pela RMV e pela RSM, existem as máquinas que apresentam alguma peculiaridade e não se encaixam em nenhuma das categorias acima. Restaram apenas duas locomotivas, preservadas em diferentes cidades do Brasil.

Outra "experiência" da RMV no ramo de construção de locomotivas por conta própria, a locomotiva Nº340 foi montada com peças forjadas nas oficinas da companhia; apenas a caldeira é original da Baldwin, originalmente pertencente á uma locomotiva "Shay" (transmissão por eixo cardã.) Atualmente a 340 se encontra preservada em Divinópolis, cidade onde a mesma foi construída. Foto de Hélio dos Santos Pessoa Júnior. 
Por fim, a RMV 431 (Ou seria 437?), outra 2-8-0 da companhia que foi restaurada pela ABPF - Regional Campinas, e posta na ativa da frota da VFCJ, sob o Nº222. A história dessa locomotiva é bastante confusa, e as informações sobre a mesma são raras, por isso apenas a Nº423 permanece oficialmente como Consolidation da RMV/Oeste. Crê-se que essa locomotiva foi comprada pela E.F Muzambinho. Foto de Vanderlei Antônio Zago.
     Com 21 locomotivas originárias da RMV-Oeste, quatro da RSM e mais duas locomotivas especiais, totalizam 27 locomotivas de bitola de 1,00m, além das dezoito máquinas de bitola de 0,76m. O total de peças do acervo da velha RMV é de 45 máquinas a vapor de duas bitolas diferentes, além de duas locomotivas elétricas, adquiridas na década de 1950 pela companhia.