segunda-feira, 5 de março de 2012

Classificação White de locomotivas a vapor - Oeste de Minas

 A classificação White foi criada por especialistas norte-americanos em locomotivas pare definir  o tipo de rodagem de máquinas a vapor. Atualmente, essas nomenclaturas ainda são usadas, mesmo que a tração a vapor esteja em desuso. Na E.F Oeste de Minas, foram usadas muitos desses tipos de locomotivas. Veja:

0-6-0 (Nenhuma roda-guia, 6 rodas motrizes e nenhuma roda de apoio)
Originária da EFCB, a locomotiva 0-6-0WT de bitola de 60 cm, foi cedida pela companhia para trabalhar em minas pequenas de extração de calcário e brita em cidades como Ouro Preto e Mariana. Com o fim do serviço no local, a locomotiva permaneceu parada por um tempo em Sete Lagoas, até que em 1985 foi trazida para São João del-Rei, onde pode atualmente ser contemplada em uma das plataformas da estação. (informação corrigida)

Locomotiva 0-6-0WT preservada em São João del-Rei.
4-4-0 "American" (4 rodas guia e 4 rodas motrizes)


Um grupo outrora bastante numeroso de locomotivas, as máquinas 4-4-0 da EFOM se dividiam em dois grupos: "Montezuma", que eram da primeira frota da ferrovia e as "American" convencionais, que faziam parte do round adquirido da Baldwin Locomotive Works posteriormente. Foram usadas tanto nas linhas da "bitolinha" quanto na malha de 1,00 m da companhia. Infelizmente, restaram poucos exemplares, já que a maioria sofreu baixa devido ao uso exaustivo para transportar cargas, apesar dessa locomotiva ter sido criada para fazer trens rápidos de passageiros. Das métricas, restou apenas uma (RMV 157). Na bitolinha, restaram apenas 1 "Montezuma" e 4 "American", estando duas delas bem longe da estação.

Locomotiva Nº1, única Montezuma da E.F Oeste de Minas ainda existente. Foto de Michael Silva.

Locomotiva Nº19, criminosamente vendida pela VFCO para a prefeitura de Curitiba, onde se encontra lá até hoje. Apesar de ter sido privada de muitas de suas peças originais, felizmente está preservada. 

Locomotiva Nº20, preservada como escultura estática no prédio da administração da Ferrovia Centro-Atlântica desde a década de 1980, depois de ter passado uma temporada em Lavras. diferentemente da nº19, está inteira. Porém, entidades preservacionistas desejam trazer a máquina para a cidade de São João del-Rei, já que a mesma se encontra sobre ameaça de depredadores que picharam a máquina no início do ano passado.


Locomotiva Nº21, há anos preservada como enfeite na plataforma da Estação Ferroviária. Apesar de estar em plena condição operacional, foi escolhida para ser conservada como monumento.

Aspecto da locomotiva Nº22, única máquina dessa classe ainda na ativa. Atualmente se encontra em processo de restauração, já que o trabalho exaustivo fez com que suas peças se desgastassem.
4-6-0 "Ten-Wheeler" (4 rodas guia, 6 rodas motrizes, nenhuma roda de apoio)


Outro grupo bastante versátil de locomotivas. Sua configuração permite que possa se fazer trens mistos (carga + passageiros). Bastante utilizadas na E.F Oeste de Minas em suas duas bitolas, permaneceram em operação durante décadas. Apesar do grande número de baixas, ainda restaram muitas delas na malha de 0,76m e e nas linhas métricas. Veja:

A RFFSA SR-2 37 trabalhou durante longo tempo em trens mistos na EFOM. Se encontra preservada na rotunda de São João del-Rei coberta com uma fina camada de poeira, apesar de intacta.

Já a RFFSA SR-2 nº38 continuou trabalhando mesmo depois da erradicação, tracionando trens turísticos na reduzida malha de 76 cm. Foi aposentada no início da década de 1990.

Quinto á RFFSA SR-2 nº40, foi aposentada no ano de 1985 e atualmente se encontra preservada sobre uma vala de manutenção na rotunda.

A locomotiva nº41 é a "menina de ouro" da FCA, que fez revisão geral nela após permanecer dois longos anos parada. Considerada uma das máquinas-símbolo da EFOM e sinônimo de "maria-fumaça" para muitas pessoas. Linda como sempre, permanece firme na ativa. 

Uma das mais famosas da bitolinha, a RFFSA SR-2 Nº42 também foi escolhida para fazer parte da frota ativa da FCA/Oeste. Após rodar durante anos, teve que parar para sofrer revisão geral. O seu tender foi desmontado para soldagem e a locomotiva está passando por processo de restauração. Não há estimativa para sua volta aos trilhos.

Outra "beldade" da Estrada de Ferro Oeste de Minas é a RFFSA SR-2 nº43, que trabalhou até o ano de 1995. Atualmente está preservada intacta na rotunda, embora fosse bastante útil o seu uso na atualidade.
Nas linhas métricas da EFOM, restaram ainda cerca de 14 locomotivas ten-wheeler preservadas, 4 delas em operação em trens turísticos da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).

2-8-0 "Consolidation" (2 rodas-guia, 8 rodas motrizes e nenhuma roda de apoio)


As máquinas 2-8-0 foram desenvolvidas para o transporte de cargas pesadas, com um maior número de rodas de tração e diâmetro reduzido dos rodeiros. Na E.F Oeste de Minas, se mostraram bastante úteis na era do transporte de minérios, já que elas podiam tracionar trens com mais peso de maneira mais eficiente. Como foram utilizadas de maneira correta (ainda que um pouco abusiva), é o número de máquinas da bitolinha preservado em maior quantidade (sendo 7 no total, contra 6 ten-wheelers e 5 Americans).

A RFFSA SR-2 nº55 está preservada na rotunda. Infelizmente nela faltam peças. A válvula de ar do freio da locomotiva foi arrancada para ser colocada em outra locomotiva, o que inviabiliza seu funcionamento seguro.

Muitas pessoas soltam um triste suspiro quando veem fotos da RFFSA SR-2 nº58, única locomotiva sucateada da EFOM. Não há projetos de restauração para a mesma, e mesmo com o esforço da FCA para impedir que seu estado de conservação piore, a máquina sofre com a ferrugem e a falta de peças.

Também na RFFSA SR-2 nº 60 faltam peças. O compressor do freio a ar foi transferido para a locomotiva Nº22, e faltam muitos acessórios na cabine. Essa locomotiva foi a última a ser aposentada, só saindo de linha no início de 1996. Apesar disso, a máquina está preservada na plataforma da estação.

RFFSA SR-2 nº62, preservada sobre outra vala de reparo na rotunda. Se encontra em bom estado de conservação.

Em Antonio Carlos, antigo marco zero da EFOM temos a Nº66, preservada como monumento na estação da cidade. Apesar de suja de titica de pombos, está intacta.

Outra rainha da E.F Oeste de Minas, a nº68 tem uma legião de fãs. Adorada pelos funcionários da FCA por sua capacidade de tração e beleza rara, é mantida em condição operacional há décadas. Permanece como a única 2-8-0 na ativa. 

Por fim, temos a RFFSA SR-2 nº69, também preservada na rotunda como monumento. Conhecida entre os antigos ferroviários como "super-locomotiva" pela grande capacidade de tração. Infelizmente está parada.
  Quanto ás Consolidation das linhas métricas da E.F Oeste de Minas, restou apenas a Nº423, preservada no Museu do Trem em Cristina, interior de Minas Gerais.

7 comentários:

  1. Muito legal a postagem. Acho que a EFOM é uma das ferrovias que tem o maior número de locomotivas preservadas, muitas delas com a ABPF.

    ResponderExcluir
  2. Sim, a ABPF ajudou bastante quando a EFOM correu risco de desaparecer no ano de 1984. Se não fosse por eles e outras entidades preservacionistas, não teríamos o patrimônio que temos hoje.

    ResponderExcluir
  3. As locomotivas da rotunda deveriam ser restauradas para voltar a operar. Elas perderam utilidade, pois a rotunda não está mais aberta como museu.

    ResponderExcluir
  4. A rotunda está passando por reformas, ainda que atrasadas. Infelizmente, acho que as máquinas Nº55 e Nº60 não voltam mais a operar porque lhes faltam muitas peças. Porém o restante está em boas condições operacionais, e devia-se fazer uma revisão mais profunda no quadro de locomotivas para selecionar os melhores maquinários para substituir as locomotivas Nº42 e nº22, que ficaram exauridas com a fadiga e mereciam devido descanso.

    ResponderExcluir
  5. gostaria de saber mais sobre essa locomotiva que rodou em minha cidade Barroso essa que vc falou que trabalhou numa pedreira queria mais informações

    ResponderExcluir
  6. A 20 não podia voltar para São João Del Rei. Vai acontecer com ela o mesmo com a locomotiva 58. Ela só podia voltar se fosse para rodar. Ela esta bem em BH. São João Del Rei tem muita maquina que deveriam estar rodando. Se nem estão conseguindo manter as 4 locomotivas que eram para estarem rodando. Imagina a 20. Vai ter que gastar muito dinheiro para a 20 poder voltar a São João Del Rei

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Essa questão da 20 sempre foi bastante delicada. Por um lado, sua partida evitaria que ela ficasse exposta a vândalos e depredadores que invadem o jardim da chancelaria da FCA. A máquina está desperdiçada ali, tanto que alguns anos atrás chegavam a acende-la para apitá-la no Natal. Seria bom também ter mais uma 4-4-0 em operação em S. João del-Rei, mas esse não é um argumento válido, já que temos a locomotiva Nº21, em bom estado porém estática. Agora, o lado negro dessa história toda é a possibilidade de a máquina ir parar na rotunda junto com as outras. Locomotiva Nº20 ainda se encontra em condição operacional, sendo maior o custo para traze-la de volta do que restaurá-la, já que apresenta todas suas peças intactas (fico surpreso de não terem levado o compressor). Não tem muito problema de ela ficar com a FCA da capital por mais algum tempo. Preocupação mesmo é com o carro A-1, que está virando farelo nos jardins da chancelaria, diminuindo cada vez mais as chances de reversão do dano causado pela exposição ao tempo.

      Excluir