sexta-feira, 16 de março de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Gondolas

  Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Gondolas da E.F.O.M


Para que não sabe, a gondola ou vagão aberto é um veículo sobre trilhos retangular com paredes que se elevam em 1 metro ou mais. Tem a principal finalidade de transportar minérios como areia e calcário, dentre outros materiais que podem ficar expostos ao tempo durante as viagens. No período VFCO/RFFSA, a Estrada de Ferro Oeste de Minas chegou a contar com aproximadamente 150 desses vagões, com três tipos diferentes entre si. Veja cada um deles:

Gondolas com prefixo "MC"


Equipamentos com essa nomenclatura foram maioria no período da Rede Mineira de Viação (RMV), mas foram decaindo com o tempo. Todos esses vagões tinham a construção em madeira, apenas com o longerão e as rodas em metal. Feitos nas oficinas de São João del-Rei e Ribeirão Vermelho, os vagões "MC" foram de grande valia na era da VFCO e posteriormente RFFSA, quando o transporte de cimento e calcário estava em alta, e vagões desses eram estritamente necessários.

Gondola MC 61, a única da espécie que ainda restou. Foi preservada pela FCA para compor o acervo da rotunda.
Locomotiva Nº39 tracionando trem de calcário e cimento, com a gondola MC 25 em primeiro plano.
Essa gondolas acabaram facilmente por sua vulnerabilidade ao tempo e ao desgaste pelo uso. Sendo de madeira, foram aos poucos sendo inutilizadas. Então, a diretoria da ferrovia encomendou novos tipos de gondola, sobre os quais falarei logo abaixo.

Gondolas com prefixo "MD"


Com a decadência das gondolas de nomenclatura MC, a VFCO se viu em maus lençóis. Para renovar a frota, a empresa solicitou á Fábrica Nacional de Vagões, ou FNV, que produzisse sob encomenda uma versão menor e mais compacta das gondolas que circulavam nas linhas de 1,00m da RFFSA. A encomenda foi atendida, e na década de 1970 as novas gondolas em construção de metal chegaram ás linhas da bitolinha. Sucesso total. A carga não se perdia com elas, o processo de carga e descarga de produtos era bem mais fácil e também havia o fato de as mesmas durarem mais. No fim da Era de Ouro da EFOM, algumas das gondolas MD eram equipadas até com engates automáticos, daqueles usados nos equipamentos de bitola métrica, em vez do usual engate de pino e manilha. Depois da erradicação da linha, essas gondolas de grande valor ficaram paradas, mas o número de baixas foi muito pequeno: a maioria dos equipamentos dessa classe foi rebitolada e adaptada para rodar nas linhas de 1,00m de Lavras e outras cidades. Na bitolinha, restaram seis delas atualmente. A maioria se encontra sem uso no pátio da ferrovia, mas um exemplar foi escolhido para ser preservado para a posteridade.

Gondola MD 14, escolhida para ser preservada como peça histórica no Museu Ferroviário.

Logo da Fábrica Nacional de Vagões em uma das gondolas abandonadas da ferrovia.

Gondola MD 14 parada no pátio da Estação Ferroviária de São João del-Rei, instantes antes de ser mandada para a rotunda.
Equipamentos como as gondolas MD seriam de grande uso na FCA atualmente, já que a equipe de via permanente da companhia faz uso de uma gondola simples para lastrar a via férrea. As gondolas MD tem aberturas nos lados, que proporcionariam que a brita fosse despejada diretamente no leito ao lado dos trilhos sem que o trem pare, ou haja a necessidade de os ferroviários descerem da composição e tirarem o lastro com pás.

Gondolas com prefixo "PB"


Esse é um tipo relativamente mais simples de gondola, usado para carregar tijolos e sacos de mercadoria. Mais compridas, esses veículos foram muito usados para transportar sacos de cimento na linha entre São João del-Rei e Barroso. Atualmente restam duas unidades, sendo que uma está abandonada no pátio e outra é mantida na frota ativa da Ferrovia Centro-Atlântica para reparos na via férrea.

Gondola PB 11, mantida até hoje na ativa para tracionar trens de reparo de via permanente. Note a versatilidade: Pode ser usada tanto como prancha quanto como gondola.

2 comentários:

  1. Muito legal! Não sabia que existiam gondolas de madeira! PS.: Na segunda foto dos "Gondola MC" os gondolas estão à direita.

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  2. Putz, é mesmo. Obrigado por me lembrar, vou corrigir aqui.

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