terça-feira, 20 de março de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Boxes

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Boxes da E.F.O.M


O vagão boxe ou vagão baú é um veículo sobre trilhos totalmente fechado, usado para transportar produtos e bens que não podem ficar expostos ao tempo (mercadorias perecíveis, por exemplo.) Pode ser dividido em compartimentos internos ou não. Na Era de Ouro da Estrada de Ferro Oeste de Minas, a companhia tinha quase 90 desses vagões em sua frota de equipamentos não-motorizados. Infelizmente, dessa frota, restaram apenas 6 exemplares.

Boxes com prefixo "VB"


Os boxes com a nomenclatura VB foram os pioneiros nesse tipo de vagão na E.F Oeste de Minas. Quase todos tinham construção predominante em madeira e alguns eram originários da série "H", adquirida ainda quando a EFOM era ferrovia de propriedade privada, antes de ser encampada pelo governo do estado, que decidiu renovar a frota, mandando ordens ás oficinas de Divinópolis, Ibiá, São João del-Rei e Ribeirão Vermelho para que fabricassem vagões fechados de mercadorias para renovar a frota da companhia. Na década de 1930, muitos já se encontravam ativos. Foram de valioso uso para a companhia ferroviária: tanto que em estações como Ibituruna, Congo Fino, Nazareno e outras, um desses vagões era deixado em um desvio para servir de alojamento e depósito provisório de mercadorias. Infelizmente, como foi o caso das gondolas MC, a construção em madeira foi a sua ruína. Nesses boxes que ficavam como armazéns, havia casos de sacos de grãos que permaneciam muito tempo dentro dos vagões que mofavam e sofriam ataque de ratos. Também eram bastante vulneráveis ao desgaste natural e a cupins. Na segunda metade da década de 1970, muitos deles haviam sido desmontados e seus longerões reaproveitados para fazer pranchas. Apenas um exemplar foi preservado.

Pátio de são João del-Rei, plena época comercial. Em primeiro plano, o boxe VB 81, ainda com pintura da V.F Centro Oeste. Foto de Herbert Graf.

Exemplar VB 56, já apresentando sinais de decadência. Autor e data desconhecidos.

Ferroviário abastece locomotiva Nº37, com o vagão VB 49 em primeiro plano. já na fase SR-2. Foto de Herbert Graf.

Exemplar VB 28, escolhido pela RFFSA para ser preservado como peça estática no futuro Museu Ferroviário. Década de 1990,autor desconhecido.

Boxes com prefixo "TD"


A VFCO decide renovar sua frota de boxes e pede ás oficinas da companhia para fabricar boxes novos com estrutura completamente em metal, que ofereceria maior resistência e durabilidade, a exemplo dos vagões semelhantes usados nas linhas de 1,00m da RFFSA. A intenção por trás disso também era garantir que as mercadorias chegassem intactas ao destino e não se perdessem caso precisassem ficar armazenadas dentro dos vagões durante muito tempo. Seja o que for, deu certo. Apesar de serem mais pesados, os boxes TD eram mais duráveis que seus semelhantes de madeira, com bem menos problemas mecânicos. Quando sua utilidade acabou, alguns foram sucateados, mas boa parte foi levada para outros lugares, onde teve outros usos. atualmente, ainda restam tres exemplares dessa série, sendo que apenas um está devidamente conservado.

Em terceiro plano, boxes TD-15 e TD-20 no pátio da estação de São João del-Rei. Infelizmente, se encontram abandonados. Foto de autoria própria.

20 anos antes, o exemplar TD-20 em plena atividade. Foto de Herbert Graf.
Ainda existe mais um exemplar, o TD-3, que se encontra preservado na rotunda:

Nessa foto de Giovanni Carvalho, é possível ver o boxe metálico EFOM TD 3 preservado ao lado da locomotiva elétrica Metropolitan-Vickers.

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