terça-feira, 27 de março de 2012

Pensamento ferroviário da semana - Mk III

" Além dos trilhos, há a harmonia" - FCA.


Acesse o site da Ferrovia Centro-Atlântica e viaje pelos trilhos da maior companhia ferroviária de Minas Gerais. Destaque para a elaborada página sobre trens turísticos.

domingo, 25 de março de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Guindastes

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Guindastes da E.F.O.M


O guindaste ferroviário tem a utilidade principal em auxiliar na carga e descarga de produtos pesados nos pátios e ser a ferramenta principal dos trens de socorro para auxiliar na remoção de locomotivas e vagões tombados. Na Estrada de Ferro Oeste de Minas, existiram duas unidades: uma adquirida na inauguração da estrada de ferro, e outro, oriundo de uma companhia americana. Ambos eram movidos a vapor e permaneceram em operação por quase 100 anos ininterruptos, quando houve a erradicação das linhas industriais da ferrovia e o serviço de trens turísticos e regionais passou a ser a única vocação da companhia. Não tinham prefixo específico, e felizmente ambos os dois guindastes da "bitolinha" foram preservados e atualmente podem ser vistos na Museu Ferroviário.

Dois momentos distintos: Guindaste da EFOM de origem britânica em plena ativa...

...E atualmente, servindo como monumentos do passado da companhia.
Além do outro guindaste da E.F Oeste de Minas, fabricado pela Brownhoist Corporation, Michigan, ainda existe outro guindaste de bitola métrica, que pertenceu á EFCB e foi adquirido pela RFFSA em 1985 para compor o acervo da rotunda. Porém, nunca foi restaurado, e atualmente se encontra atrás da rotunda.

Guindaste da EFCB parado na linha mista de serviço da FCA.

A pintura atesta a origem. Esse equipamento teve uso nas linhas de 1,00m da SR-2, até ser aposentado e mandado para São João del-Rei.

quinta-feira, 22 de março de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Tanques

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Tanques da E.F.O.M


O vagão tanque é um veículo ferroviário que apresenta uma estrutura totalmente fechada. Costuma ser bem menor que os outros e é hermeticamente lacrado, com uma escotilha para entrada e saída de produtos. Os tanques são usados para o transporte de líquidos e produtos pastosos, que não poderiam ser transportados em outro tipo de vagão. Quando fundada, a Estrada de Ferro Oeste de Minas não adquiriu nenhum desses equipamentos, mas com o tempo a ferrovia fez suas aquisições, adquirindo vários exemplares de dois tipos diferentes. Veja abaixo:

Tanques com prefixo "TB"


Os tanques TB são a geração mais antiga de vagões tanque da Oeste. Não se sabe ao certo o número de unidades da série adquiridas, mas acredita-se que foram em torno de 5. Sua construção é de origem desconhecida, apesar da hipótese mais provável ser as oficinas da Divinópolis (que eram as únicas da Oeste que tinham equipamento para construir vagões inteiramente em metal). Eram bastante utilizados para o transporte de óleo e líquidos inflamáveis em geral. Infelizmente, com o tempo o transporte de combustíveis na então EFOM/RMV foi ficando defasado, e acabou por ser deixado de lado. Foram sucateados nos anos 1960 e os seus bolsters e rodas usados para fazer outros vagões de transporte de minérios. Apenas um exemplar, o TB 4, foi preservado, e atualmente se encontra na parte externa do Museu Ferroviário.

Dois vagões TB aguardam o corte, na fila de morte da VFCO nos anos 1960. Autor desconhecido.

O remanescente TB 4 sendo puxado pela locomotiva Nº39, em belo registro do fotógrafo americano Charles Small.

Estado atual do TB 4, em exposição no Museu Ferroviário. Foto de Thiago Lopes de Resende.
Miniatura do tanque TB 4. Feita e registrada por Thiago Lopes de Resende.

Tanques com o prefixo "YB"


No final dos anos 1960, a Viação Férrea do Centro-Oeste (VFCO), percebeu que os tanques TB faziam falta, já que seriam muito necessários para armazenar óleo. Infelizmente, quase todos já tinham sido destruídos, e o único exemplar remanescente não dava conta da demanda. Então a companhia ferroviária decidiu se mexer. Foram construídos dois vagões tanque com dimensões menores que as do TB, mas bem mais versáteis para serem abastecidos e descarregados, já que contavam com uma escotilha na parte superior (os vagões da série TB tinham portinholas laterais). Foram nomenclaturados com o prefixo "YB", que foram de valioso uso na companhia ferroviária. Geralmente, eram usados em pátios ferroviários de estações de linha pequenas, como Ibituruna e Congo Fino, para atuarem como depósitos móveis de óleo para as locomotivas que passavam por lá e eram abastecidas. Com o fim do transporte de cargas na linha da EFOM, esses vagões perderam seu uso e foram encostados no pátio. Hoje se encontram parados no pátio da estação de São João del-Rei. Felizmente, não foram destruídos.

Um tanque YB no pátio ferroviário de São João del-Rei. Autor desconhecido.

Tanques YB em plena atividade, década de 1970.

Carros e vagões da Oeste de Minas - Gaiolas

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Gaiolas da E.F.O.M


A gaiola é um vagão de construção bastante simples. Como o nome já diz, tem a sua estrutura semelhante a uma gaiola, com barras e caibros horizontais e transversais entre si para criar um espaço fechado e ventilado. A maior finalidade da gaiola é justamente o transporte de bovinos, equinos e outros animais de grande porte usados no meio rural. Nas linhas ativas da E.F Oeste de Minas em sua era áurea, já se chegou a ter aproximadamente dez vagões-gaiola em operação no transporte de gado entre as fazendas e comarcas da região por onde a linha da "bitolinha" estendia seus serviços. Com o advento da era do minério e a ascensão do transporte rodoviário, o transporte de animais na companhia foi gradativamente sendo abandonado, os vagões gaiola foram desmontados e para variar, seus bolsters foram usados na fabricação de gondolas e pranchas. Atualmente no Museu Ferroviário da EFOM, restam ainda três unidades.

Na segunda metade da década de 1970 Herbert Graf registrou o exemplar KC 4 em alguma fazenda próxima a Aureliano Mourão. Note a estrutura em madeira com vigas transversais em metal.

Aspecto do exemplar KB 2, ainda com sua plaquinha da RMV preservada em sua lateral. Foto de Giovanni Carvalho.

Outro aspecto do exemplar KB 2, atualmente mantido guardado na rotunda como peça escultural da frota cargueira remanescente. Autor desconhecido.
   Ainda existe também o vagão KB 6, que se encontra em processo de restauração empreendido pela Ferrovia Centro-Atlântica, em mais uma de suas tentativas preservacionistas para aumentar o acervo do museu.

terça-feira, 20 de março de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Boxes

Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Boxes da E.F.O.M


O vagão boxe ou vagão baú é um veículo sobre trilhos totalmente fechado, usado para transportar produtos e bens que não podem ficar expostos ao tempo (mercadorias perecíveis, por exemplo.) Pode ser dividido em compartimentos internos ou não. Na Era de Ouro da Estrada de Ferro Oeste de Minas, a companhia tinha quase 90 desses vagões em sua frota de equipamentos não-motorizados. Infelizmente, dessa frota, restaram apenas 6 exemplares.

Boxes com prefixo "VB"


Os boxes com a nomenclatura VB foram os pioneiros nesse tipo de vagão na E.F Oeste de Minas. Quase todos tinham construção predominante em madeira e alguns eram originários da série "H", adquirida ainda quando a EFOM era ferrovia de propriedade privada, antes de ser encampada pelo governo do estado, que decidiu renovar a frota, mandando ordens ás oficinas de Divinópolis, Ibiá, São João del-Rei e Ribeirão Vermelho para que fabricassem vagões fechados de mercadorias para renovar a frota da companhia. Na década de 1930, muitos já se encontravam ativos. Foram de valioso uso para a companhia ferroviária: tanto que em estações como Ibituruna, Congo Fino, Nazareno e outras, um desses vagões era deixado em um desvio para servir de alojamento e depósito provisório de mercadorias. Infelizmente, como foi o caso das gondolas MC, a construção em madeira foi a sua ruína. Nesses boxes que ficavam como armazéns, havia casos de sacos de grãos que permaneciam muito tempo dentro dos vagões que mofavam e sofriam ataque de ratos. Também eram bastante vulneráveis ao desgaste natural e a cupins. Na segunda metade da década de 1970, muitos deles haviam sido desmontados e seus longerões reaproveitados para fazer pranchas. Apenas um exemplar foi preservado.

Pátio de são João del-Rei, plena época comercial. Em primeiro plano, o boxe VB 81, ainda com pintura da V.F Centro Oeste. Foto de Herbert Graf.

Exemplar VB 56, já apresentando sinais de decadência. Autor e data desconhecidos.

Ferroviário abastece locomotiva Nº37, com o vagão VB 49 em primeiro plano. já na fase SR-2. Foto de Herbert Graf.

Exemplar VB 28, escolhido pela RFFSA para ser preservado como peça estática no futuro Museu Ferroviário. Década de 1990,autor desconhecido.

Boxes com prefixo "TD"


A VFCO decide renovar sua frota de boxes e pede ás oficinas da companhia para fabricar boxes novos com estrutura completamente em metal, que ofereceria maior resistência e durabilidade, a exemplo dos vagões semelhantes usados nas linhas de 1,00m da RFFSA. A intenção por trás disso também era garantir que as mercadorias chegassem intactas ao destino e não se perdessem caso precisassem ficar armazenadas dentro dos vagões durante muito tempo. Seja o que for, deu certo. Apesar de serem mais pesados, os boxes TD eram mais duráveis que seus semelhantes de madeira, com bem menos problemas mecânicos. Quando sua utilidade acabou, alguns foram sucateados, mas boa parte foi levada para outros lugares, onde teve outros usos. atualmente, ainda restam tres exemplares dessa série, sendo que apenas um está devidamente conservado.

Em terceiro plano, boxes TD-15 e TD-20 no pátio da estação de São João del-Rei. Infelizmente, se encontram abandonados. Foto de autoria própria.

20 anos antes, o exemplar TD-20 em plena atividade. Foto de Herbert Graf.
Ainda existe mais um exemplar, o TD-3, que se encontra preservado na rotunda:

Nessa foto de Giovanni Carvalho, é possível ver o boxe metálico EFOM TD 3 preservado ao lado da locomotiva elétrica Metropolitan-Vickers.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Carros e vagões da Oeste de Minas - Gondolas

  Na maior parte dos casos, uma ferrovia é criada ou instaurada em determinada região com o intuito de transportar cargas ou passageiros entre duas ou mais localidades. E o que seria da companhia ferroviária sem uma boa frota de vagões? São eles que acompanhados da locomotiva formam o conjunto ao qual denominamos "trem". Na EFOM não era diferente. A companhia, que já chegou a ter a maior frota de vagões de carga e carros de passageiros de Minas Gerais, atualmente conta com apenas uma pequena parte dessa grande leva que transportou o progresso do Estado.

Gondolas da E.F.O.M


Para que não sabe, a gondola ou vagão aberto é um veículo sobre trilhos retangular com paredes que se elevam em 1 metro ou mais. Tem a principal finalidade de transportar minérios como areia e calcário, dentre outros materiais que podem ficar expostos ao tempo durante as viagens. No período VFCO/RFFSA, a Estrada de Ferro Oeste de Minas chegou a contar com aproximadamente 150 desses vagões, com três tipos diferentes entre si. Veja cada um deles:

Gondolas com prefixo "MC"


Equipamentos com essa nomenclatura foram maioria no período da Rede Mineira de Viação (RMV), mas foram decaindo com o tempo. Todos esses vagões tinham a construção em madeira, apenas com o longerão e as rodas em metal. Feitos nas oficinas de São João del-Rei e Ribeirão Vermelho, os vagões "MC" foram de grande valia na era da VFCO e posteriormente RFFSA, quando o transporte de cimento e calcário estava em alta, e vagões desses eram estritamente necessários.

Gondola MC 61, a única da espécie que ainda restou. Foi preservada pela FCA para compor o acervo da rotunda.
Locomotiva Nº39 tracionando trem de calcário e cimento, com a gondola MC 25 em primeiro plano.
Essa gondolas acabaram facilmente por sua vulnerabilidade ao tempo e ao desgaste pelo uso. Sendo de madeira, foram aos poucos sendo inutilizadas. Então, a diretoria da ferrovia encomendou novos tipos de gondola, sobre os quais falarei logo abaixo.

Gondolas com prefixo "MD"


Com a decadência das gondolas de nomenclatura MC, a VFCO se viu em maus lençóis. Para renovar a frota, a empresa solicitou á Fábrica Nacional de Vagões, ou FNV, que produzisse sob encomenda uma versão menor e mais compacta das gondolas que circulavam nas linhas de 1,00m da RFFSA. A encomenda foi atendida, e na década de 1970 as novas gondolas em construção de metal chegaram ás linhas da bitolinha. Sucesso total. A carga não se perdia com elas, o processo de carga e descarga de produtos era bem mais fácil e também havia o fato de as mesmas durarem mais. No fim da Era de Ouro da EFOM, algumas das gondolas MD eram equipadas até com engates automáticos, daqueles usados nos equipamentos de bitola métrica, em vez do usual engate de pino e manilha. Depois da erradicação da linha, essas gondolas de grande valor ficaram paradas, mas o número de baixas foi muito pequeno: a maioria dos equipamentos dessa classe foi rebitolada e adaptada para rodar nas linhas de 1,00m de Lavras e outras cidades. Na bitolinha, restaram seis delas atualmente. A maioria se encontra sem uso no pátio da ferrovia, mas um exemplar foi escolhido para ser preservado para a posteridade.

Gondola MD 14, escolhida para ser preservada como peça histórica no Museu Ferroviário.

Logo da Fábrica Nacional de Vagões em uma das gondolas abandonadas da ferrovia.

Gondola MD 14 parada no pátio da Estação Ferroviária de São João del-Rei, instantes antes de ser mandada para a rotunda.
Equipamentos como as gondolas MD seriam de grande uso na FCA atualmente, já que a equipe de via permanente da companhia faz uso de uma gondola simples para lastrar a via férrea. As gondolas MD tem aberturas nos lados, que proporcionariam que a brita fosse despejada diretamente no leito ao lado dos trilhos sem que o trem pare, ou haja a necessidade de os ferroviários descerem da composição e tirarem o lastro com pás.

Gondolas com prefixo "PB"


Esse é um tipo relativamente mais simples de gondola, usado para carregar tijolos e sacos de mercadoria. Mais compridas, esses veículos foram muito usados para transportar sacos de cimento na linha entre São João del-Rei e Barroso. Atualmente restam duas unidades, sendo que uma está abandonada no pátio e outra é mantida na frota ativa da Ferrovia Centro-Atlântica para reparos na via férrea.

Gondola PB 11, mantida até hoje na ativa para tracionar trens de reparo de via permanente. Note a versatilidade: Pode ser usada tanto como prancha quanto como gondola.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Happy Woman's Day!

 
O Minas's Trains faz sua homenagem aos únicos seres na terra que superam os trens em perfeição, graça e beleza sem-par. Fazem nosso mundo mais feliz, mais belo e mais alegre de se viver. Uma homenagem ás mulheres!

ALL: A gente nunca pára... de se acidentar!

Quem costuma pesquisar sobre ferrovias na internet sempre se depara com um acidente ferroviário. E na maior parte dos casos, a locomotiva que tombou, bateu, descarrilou ou pegou fogo, se não explodiu, é vermelha com detalhes brancos! Não é FEPASA: para variar, outro acidente ferroviário com trens da América Latina Logística Inc., uma das ferrovias mais desenvolvidas do continente. Com centenas de quilômetros de malhas por todo o Brasil, a ferrovia se tornou notória por ser campeã de acidentes sobre os trilhos no país. De nada adianta ter equipamentos desenvolvidos, linhas extensas e estações por toda parte se tudo está em mau estado! Muitas das máquinas da frota da ALL foram herdadas da RFFSA, ou seja, já tem um bom tempo que se encontram operacionais. A via férrea se encontra bastante malcuidada, bem como as estações ao longo da linha.
  No acidente da ALL dessa vez, parece que a coisa foi séria. No porto de Santos, um trabalhador do porto foi atropelado por um trem que vinha de ré no pátio de descarregamento. Infelizmente o pobre homem não resistiu aos ferimentos da batida. Os portuários reclamam da falta de sinalização da via, da falta de pontualidade dos trens e do estado dos mesmos, já que há relatos de composições de soja e minérios que despejavam sua carga pelo percurso, perdendo-se parta da mercadoria. Muitos produtores começaram a sentir a falta de rendimento no escoamento das mercadorias e começaram a apelar para que FCA e MRS, as maiores concorrentes da ALL no ramo de transporte de cargas sobre trilhos, transportem seus produtos para os portos e entrepostos de venda, já que a frota dessa companhias é bem mais conservada do que a da América Latina Logística. Os vagões da empresa são tão malcuidados que em fevereiro desse ano, um vagão hopper carregado de soja se desprendeu de uma composição e desceu quase 1 km á deriva até bater em outro que se encontrava parado. Felizmente não havia passagens de nível no percurso, o que evitou que uma tragédia acontecesse. Veja o vídeo:

 E então, ALL? "A gente nunca pára..." Será que vão parar de causar tantos acidentes quando uma tragédia acontecer?

segunda-feira, 5 de março de 2012

Classificação White de locomotivas a vapor - Oeste de Minas

 A classificação White foi criada por especialistas norte-americanos em locomotivas pare definir  o tipo de rodagem de máquinas a vapor. Atualmente, essas nomenclaturas ainda são usadas, mesmo que a tração a vapor esteja em desuso. Na E.F Oeste de Minas, foram usadas muitos desses tipos de locomotivas. Veja:

0-6-0 (Nenhuma roda-guia, 6 rodas motrizes e nenhuma roda de apoio)
Originária da EFCB, a locomotiva 0-6-0WT de bitola de 60 cm, foi cedida pela companhia para trabalhar em minas pequenas de extração de calcário e brita em cidades como Ouro Preto e Mariana. Com o fim do serviço no local, a locomotiva permaneceu parada por um tempo em Sete Lagoas, até que em 1985 foi trazida para São João del-Rei, onde pode atualmente ser contemplada em uma das plataformas da estação. (informação corrigida)

Locomotiva 0-6-0WT preservada em São João del-Rei.
4-4-0 "American" (4 rodas guia e 4 rodas motrizes)


Um grupo outrora bastante numeroso de locomotivas, as máquinas 4-4-0 da EFOM se dividiam em dois grupos: "Montezuma", que eram da primeira frota da ferrovia e as "American" convencionais, que faziam parte do round adquirido da Baldwin Locomotive Works posteriormente. Foram usadas tanto nas linhas da "bitolinha" quanto na malha de 1,00 m da companhia. Infelizmente, restaram poucos exemplares, já que a maioria sofreu baixa devido ao uso exaustivo para transportar cargas, apesar dessa locomotiva ter sido criada para fazer trens rápidos de passageiros. Das métricas, restou apenas uma (RMV 157). Na bitolinha, restaram apenas 1 "Montezuma" e 4 "American", estando duas delas bem longe da estação.

Locomotiva Nº1, única Montezuma da E.F Oeste de Minas ainda existente. Foto de Michael Silva.

Locomotiva Nº19, criminosamente vendida pela VFCO para a prefeitura de Curitiba, onde se encontra lá até hoje. Apesar de ter sido privada de muitas de suas peças originais, felizmente está preservada. 

Locomotiva Nº20, preservada como escultura estática no prédio da administração da Ferrovia Centro-Atlântica desde a década de 1980, depois de ter passado uma temporada em Lavras. diferentemente da nº19, está inteira. Porém, entidades preservacionistas desejam trazer a máquina para a cidade de São João del-Rei, já que a mesma se encontra sobre ameaça de depredadores que picharam a máquina no início do ano passado.


Locomotiva Nº21, há anos preservada como enfeite na plataforma da Estação Ferroviária. Apesar de estar em plena condição operacional, foi escolhida para ser conservada como monumento.

Aspecto da locomotiva Nº22, única máquina dessa classe ainda na ativa. Atualmente se encontra em processo de restauração, já que o trabalho exaustivo fez com que suas peças se desgastassem.
4-6-0 "Ten-Wheeler" (4 rodas guia, 6 rodas motrizes, nenhuma roda de apoio)


Outro grupo bastante versátil de locomotivas. Sua configuração permite que possa se fazer trens mistos (carga + passageiros). Bastante utilizadas na E.F Oeste de Minas em suas duas bitolas, permaneceram em operação durante décadas. Apesar do grande número de baixas, ainda restaram muitas delas na malha de 0,76m e e nas linhas métricas. Veja:

A RFFSA SR-2 37 trabalhou durante longo tempo em trens mistos na EFOM. Se encontra preservada na rotunda de São João del-Rei coberta com uma fina camada de poeira, apesar de intacta.

Já a RFFSA SR-2 nº38 continuou trabalhando mesmo depois da erradicação, tracionando trens turísticos na reduzida malha de 76 cm. Foi aposentada no início da década de 1990.

Quinto á RFFSA SR-2 nº40, foi aposentada no ano de 1985 e atualmente se encontra preservada sobre uma vala de manutenção na rotunda.

A locomotiva nº41 é a "menina de ouro" da FCA, que fez revisão geral nela após permanecer dois longos anos parada. Considerada uma das máquinas-símbolo da EFOM e sinônimo de "maria-fumaça" para muitas pessoas. Linda como sempre, permanece firme na ativa. 

Uma das mais famosas da bitolinha, a RFFSA SR-2 Nº42 também foi escolhida para fazer parte da frota ativa da FCA/Oeste. Após rodar durante anos, teve que parar para sofrer revisão geral. O seu tender foi desmontado para soldagem e a locomotiva está passando por processo de restauração. Não há estimativa para sua volta aos trilhos.

Outra "beldade" da Estrada de Ferro Oeste de Minas é a RFFSA SR-2 nº43, que trabalhou até o ano de 1995. Atualmente está preservada intacta na rotunda, embora fosse bastante útil o seu uso na atualidade.
Nas linhas métricas da EFOM, restaram ainda cerca de 14 locomotivas ten-wheeler preservadas, 4 delas em operação em trens turísticos da Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF).

2-8-0 "Consolidation" (2 rodas-guia, 8 rodas motrizes e nenhuma roda de apoio)


As máquinas 2-8-0 foram desenvolvidas para o transporte de cargas pesadas, com um maior número de rodas de tração e diâmetro reduzido dos rodeiros. Na E.F Oeste de Minas, se mostraram bastante úteis na era do transporte de minérios, já que elas podiam tracionar trens com mais peso de maneira mais eficiente. Como foram utilizadas de maneira correta (ainda que um pouco abusiva), é o número de máquinas da bitolinha preservado em maior quantidade (sendo 7 no total, contra 6 ten-wheelers e 5 Americans).

A RFFSA SR-2 nº55 está preservada na rotunda. Infelizmente nela faltam peças. A válvula de ar do freio da locomotiva foi arrancada para ser colocada em outra locomotiva, o que inviabiliza seu funcionamento seguro.

Muitas pessoas soltam um triste suspiro quando veem fotos da RFFSA SR-2 nº58, única locomotiva sucateada da EFOM. Não há projetos de restauração para a mesma, e mesmo com o esforço da FCA para impedir que seu estado de conservação piore, a máquina sofre com a ferrugem e a falta de peças.

Também na RFFSA SR-2 nº 60 faltam peças. O compressor do freio a ar foi transferido para a locomotiva Nº22, e faltam muitos acessórios na cabine. Essa locomotiva foi a última a ser aposentada, só saindo de linha no início de 1996. Apesar disso, a máquina está preservada na plataforma da estação.

RFFSA SR-2 nº62, preservada sobre outra vala de reparo na rotunda. Se encontra em bom estado de conservação.

Em Antonio Carlos, antigo marco zero da EFOM temos a Nº66, preservada como monumento na estação da cidade. Apesar de suja de titica de pombos, está intacta.

Outra rainha da E.F Oeste de Minas, a nº68 tem uma legião de fãs. Adorada pelos funcionários da FCA por sua capacidade de tração e beleza rara, é mantida em condição operacional há décadas. Permanece como a única 2-8-0 na ativa. 

Por fim, temos a RFFSA SR-2 nº69, também preservada na rotunda como monumento. Conhecida entre os antigos ferroviários como "super-locomotiva" pela grande capacidade de tração. Infelizmente está parada.
  Quanto ás Consolidation das linhas métricas da E.F Oeste de Minas, restou apenas a Nº423, preservada no Museu do Trem em Cristina, interior de Minas Gerais.

quinta-feira, 1 de março de 2012

Pensamento ferroviário da semana - Mk II

"Existem mais coisas em cima de trilhos do que a nossa imaginação" - Thales Veiga.


Visite o site Thales Veiga's Train World e faça uma boa viagem nesse mundo mágico!