segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

E.F Oeste de Minas: Um pouco de história

   Considerada como a primeira ferrovia verdadeira de Minas Gerais, a Estrada de Ferro Oeste de Minas, ou EFOM, foi uma companhia que levou o desenvolvimento e o progresso ao interior do estado e marcou a vida de muitas pessoas que conviveram com seus trens e com suas linhas. O primeiro trilho foi assentado em 1880 na estação de Sítio (posteriormente Antonio Carlos), e o último foi colocado sobre os dormentes em 1894, no arraial de Barra do Paraopeba, praticamente em território goiano. A ferrovia se tornou famosa no mundo inteiro após o tombamento de seu patrimônio, quando se tornou de conhecimento geral de todos da última linha em bitola de 76 cm ainda em funcionamento no mundo. Confira a história dessa companhia que deixou saudades e ainda desperta emoção em muita gente.

 - Já em 1870, os banqueiros e investidores já se perguntavam sobre a vantagem de se implantar uma estrada de ferro em São João del-Rei, para ligar o município á outras localidades. Porém, o projeto foi abafado até 1877, quando as linhas da E.F Dom Pedro II alcançaram a cidade de Sítio, distando apenas 100 quilômetros de São João del-Rei. Nisso, a ideia da ferrovia que escoasse os materiais de produção são-joanense se tornou viável. Porém, os investidores queriam uma ferrovia de baixo custo, que não demandasse grandes obras como túneis e viadutos. Por isso, decidiu-se optar pela bitola estreita de 76cm, conhecida por ser capaz de fazer curvas fechadas e ter baixo custo de operação. No dia 5 de novembro de 1877, é concedida a autorização para o início das obras.
- Pouco mais de um ano depois, são construídos os primeiros 49 km de linha em bitola de 2 pés e 6 polegadas, unindo as cidades de sítio e Barroso. Àquela altura, a companhia já possuía duas locomotivas a vapor da classe American "Montezuma" fabricadas pela empresa americana Baldwin Locomotive Works.
- Mais um ano se passa, e a malha estreita da EFOM se estende ás cidades de São José del-Rei (atual Tiradentes) e São João del-Rei. E eis que no dia 28 de agosto de 1881, ocorre a cerimonia de inauguração da estrada de ferro, com a presença do imperador e sua comitiva de nobres. A companhia também adquiriu mais duas locomotivas, quatro carros de primeira classe, mais quatro de segunda, um de luxo para uso da administração da companhia, dois bagageiros,duas gaiolas, quinze vagões fechados, dez vagões abertos e um guindaste. (Atualmente, o material remanescente da E.F Oeste de Minas do séc. XIX preservado se consiste na locomotiva Nº1, preservada no Museu Ferroviário de São João del-Rei, e o carro guindaste fornecido pela Baldwin em 1878 para ajudar nas obras da empresa.

Logomarca original da E.F Oeste de Minas.
- Depois, a E.F Oeste de Minas cumpriu seus serviços por mais 20 anos, expandindo suas linhas até o povoado de Aureliano Mourão em 1885, e expandindo pequenos ramais mistos em bitola métrica e estreita, como os de Lavras e Ribeirão Vermelho. Depois, houve a consolidação do projeto de ligar o interior do estado e o vale do Paraopeba até as linhas da EFOM de 76 cm, para escoar os produtos daquela região até Ribeirão Vermelho, Lavras e Divinópolis, onde a carga seria baldeada para linha de 1,00m para ser levada até a cidade de Barra Mansa, no litoral do Rio de Janeiro.

Símbolo "modernizado" da companhia.
 - Porém, em 1903/1904, as dívidas com o governo federal, os credores que patrocinaram a ferrovia, produtos adquiridos da Baldwin e pagamentos atrasados dos trabalhadores fizeram com que a companhia fosse á falência. Porém, a ferrovia era bastante útil na região, e foi federalizada e mantida pelo governo do estado. Permaneceu assim até o ano de 1931, quando suas linhas foram arrendas junto com a semi-falida RSM (Rede Sul-Mineira) para formar a famosa Rede Mineira de Viação, mais conhecida pela sigla RMV.
- Porém, a RMV não conseguiu suprir o estado de semi-abandono em que se encontrava a ferrovia. As oficinas não davam conta da alta demanda de máquinas a serem consertadas, daí a razão de tantos sucateamentos durante o período em que a E.F Oeste de Minas esteve sob concessão da empresa criada pelo governo. Os funcionários da estrada de ferro criaram um acrônimo para a sigla RMV: Ruim Mais Vai, o que traduzia a crise de equipamento e logística enfrentada pelo grupo.

Símbolo da Rede Mineira de Viação.

 - O governo tem que intervir mais uma vez na década de 1960 para impedir que a EFOM vá por água abaixo, e arrenda mais algumas ferrovias junto com a E.F Oeste de Minas pára formar a Viação Férrea do Centro-Oeste, conhecida no meio ferroviário mineiro como VFCO. A bitolinha permaneceu sob o domínio dassa concessionária durante aproximadamente 15 anos. A VFCO conseguiu em parte remediar os problemas anteriores que foram enfrentados pela Rede Mineira de Viação, mas ainda haviam algumas lacunas na logística, e a companhia já havia perdido quase 3/4 de sua frota original de locomotivas. Durante o período da VFCO se deu o início da consolidação do período mais ativo da atividade comercial nos trilhos da EFOM, com o lançamento das obras da distante Usina de Itaipu, que demandou o transporte de materiais    provindos de todos os cantos do Brasil.


 - A crescente atividade cargueira da bitolinha faz com que a ferrovia passe a ter que ser concessionada a nível federal, passando aos cuidados da famosa Rede Ferroviária Federal S/A, ou RFFSA. A companhia federal administrou a bitolinha de 1975 a 2001, valendo se da sua segunda superintendência regional, conhecida oficialmente como SR-2 - Regional Belo Horizonte. A ferrovia de bitola estreita manteve atividade comercial até 1984, quando houve a conclusão da usina e a erradicação das linhas que levavam o cimento até a cidade de Aureliano Mourão. Até então, todas as linhas já haviam sido erradicadas, restando apenas o desprotegido ramal que liga as cidades de São João del-Rei a Tiradentes, que já estava nos projetos de erradicação da RFFSA. Porém, a grande pressão civil que a empresa sofreu de parte da população, que não queria que o trem fosse embora, fez com que o grupo mantivesse os 12 km remanescentes em caráter turístico, que se encontram em operação até os dias de hoje.

RFFSA.
 - Em meados de 1996, ocorre o início do processo de privatização da RFFSA. Nisso, surgem as empresas de transporte privado Ferrovia Centro-Atlântica, MRS Logística e ALL.
 - Em dezembro de 2001, a liquidação da RFFSA, que havia se iniciado 3 anos antes, atinge a linha turística da bitolinha. A Agencia Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) conclui que a RFFSA não pode mais cuidar da EFOM, e o IPHAN concede á Ferrovia Centro-Atlântica o direito de operar o trem, que se mantem em atividade até hoje.

Logo da Ferrovia Centro-Atlântica,grupo que cuida da EFOM atualmente.

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